Bolívia anuncia condições para participar do Gasoduto do Sul

A Bolívia participaria do Gasoduto do Sul, que levará gás natural da Venezuela às nações do Mercosul, caso os outros países interessados atendessem a algumas condições, anunciadas nesta quinta-feira pelo ministro dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada.O Gasoduto do Sul é uma iniciativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para construir um duto de cerca de seis mil quilômetros, que sairá de território venezuelano, atravessará o Brasil e terá ramificações para levar gás natural para a Argentina, o Paraguai e o Uruguai.O ministro boliviano expôs os requisitos em entrevista coletiva para responder aos municípios do país que questionaram uma cláusula do recente convênio que estabeleceu uma alta no preço do gás exportado à Argentina.Segundo Soliz, a primeira condição da Bolívia é a de que boa parte do volume contribuído de seus campos seja industrializada em seu próprio território, para que o país não siga vendendo apenas matéria-prima e, dessa forma, possa obter novos recursos."Nas conversas com o governo de Caracas, enxergamos a necessidade de (construir) um pólo de industrialização do gás", que terá ambas as nações como sócias, disse o ministro, que mencionou que conseguiu ajuda econômica venezuelana para instalar fábricas de separação de líquidos de gases nas fronteiras com a Argentina e o Brasil.Em segundo lugar, a Bolívia exige que o Gasoduto do Sul seja uma sociedade das empresas petrolíferas estatais dos países participantes ou que, pelo menos, o projeto fique sob o comando delas."Este grande projeto latino-americano não pode ficar a serviço das multinacionais", ressaltou Soliz, um dos artífices do anúncio da nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia, em 1º de maio último.A terceira condição boliviana diz respeito a uma participação no volume do produto energético em seu destino final, disse Soliz. "Se o gás boliviano serve para a industrialização em São Paulo, queremos que uma parte disso também venha para a Bolívia", completou. A Bolívia possui reservas avaliadas em 48,7 trilhões de pés cúbicos de gás.Uma comissão mista, integrada por representantes da Argentina, da Bolívia, do Brasil e da Venezuela iniciou estudos para definir os alcances do projeto e entregarão seu primeiro relatório em setembro.O estudo será recebido durante a 3ª Reunião do Comitê Ministerial do Gasoduto do Sul, que será realizada na Bolívia, segundo o estipulado no encontro anterior, realizado em Caracas.Além das observações oficiais, as petrolíferas reunidas na Câmara Boliviana dos Hidrocarbonetos sustentam que o projeto deixa fora do caminho a liderança do país na comercialização de gás no Cone Sul.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.