Bolívia confirma que não conseguirá atender demanda do Brasil

Quebra de contrato acontecerá com termoelétrica em Cuiabá. Compromisso com Petrobras será mantido

Agências internacionais, Agencia Estado

04 de janeiro de 2008 | 13h20

A Bolívia não será capaz neste ano de cumprir todos os seus compromissos de fornecimento de gás para Brasil e Argentina, segundo o ministro de hidrocarbonetos boliviano, Carlos Villegas, citado pela Agência Boliviana de Informações (ABI). "No fim do ano, nós produziremos uma média de 42 milhões de metros cúbicos de gás por dia e essa quantidade não nos permitirá cumprir os contratos com Brasil e Argentina completamente", teria dito o ministro em La Paz. Atualmente a Bolívia está produzindo 40 milhões de metros cúbicos de gás por dia e tem uma demanda doméstica e externa diária de 46 milhões de metros cúbicos. Em várias ocasiões no ano passado a Bolívia reduziu temporariamente o fornecimento de gás para os países vizinhos. Os problemas de fornecimento de gás neste ano vão atingir principalmente um pequeno contrato que a Bolívia possui com a usina termoelétrica em Cuiabá, no Centro-Oeste do Brasil, e um contrato de médio porte com a Argentina, informou a ABI. A Argentina tem um contrato de importação de 7,7 milhões de metros cúbicos por dia. É esperado um crescimento nesse volume de mais de 20 milhões de metros cúbicos diários nos próximos anos, mas até agora a Bolívia não desenvolveu a nova capacidade de produção de gás necessária para cumprir o contrato. Um contrato maior, de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia, com a Petrobras, tem prioridade sobre outros contratos de exportação e não será afetado por outros possíveis cortes, afirmou Villegas. Até o fim deste ano a Petrobras também planeja ter unidades de regaseificação com capacidade para regaseificar 21 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) na costa brasileira. Investimento A Petrobras vai investir US$ 232 milhões na Bolívia neste ano, segundo Villegas. A unidade argentina da companhia, a Petrobras Energia, investirá outros US$ 31 milhões. Petrolíferas domésticas e estrangeiras prometeram gastar um total de US$ 967 milhões no país em 2008, de acordo com o ministro. A estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) destinará outros US$ 1,3 bilhão em investimentos neste ano. Após a nacionalização do setor de petróleo e gás boliviano, em 2006, petrolíferas estrangeiras limitaram investimentos naquele país ao mínimo necessário para manter os atuais níveis de produção de gás. Nos últimos meses, o ministro Carlos Villegas tem pressionado essas empresas a investirem mais ou deixarem o país. Durante recente visita a La Paz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil investirá mais de US$ 1 bilhão na Bolívia nos próximos anos para evitar os problemas de fornecimento de gás para o Brasil. Também de acordo com informações dadas pelo ministro boliviano, a petrolífera espanhola Repsol-YPF vai destinar US$ 137 milhões em investimentos na Bolívia em 2008; a Andina, uma petrolífera boliviana da qual a Repsol possui participação, investirá outros US$ 155 milhões; e a Chaco, da qual a BP possui participação, investirá US$ 215 milhões. 

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