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Bolívia confirma reunião para discutir nacionalização do gás

O ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, confirmou nesta quarta-feira que se encontrará na próxima segunda, dia 9, com o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, para retomar as negociações a respeito da nacionalização do setor boliviano de petróleo e gás. No governo brasileiro, porém, há divergências com relação à retomada de um assunto tão delicado em meio à campanha para o segundo turno das eleições presidenciais.O Ministério de Minas e Energia informou que confirmará nesta quinta se Rondeau estará na Bolívia segunda-feira. Os dois ministros deveriam ter se reunido em meados de setembro, mas o encontro foi cancelado depois que o Ministério dos Hidrocarbonetos publicou resolução expropriando as receitas das refinarias da Petrobras naquele país. A medida gerou duras reações do governo brasileiro e culminou com a renúncia de Andrés Soliz Rada, então ministro do setor.A resolução foi congelada há duas semanas, em uma intervenção do vice-presidente Álvaro García Linera. No ministério, o governo Evo Morales substituiu o estilo agressivo de Rada pelo perfil mais moderado de Villegas. As duas medidas foram interpretadas como sinais de que os bolivianos pretendem aprofundar as negociações, ao invés de continuar tomando medidas unilaterais contra as multinacionais que operam no país.Mesmo assim, há na diplomacia brasileira quem veja razões para novo adiamento das negociações ministeriais, uma vez que o tema foi explorado negativamente pelos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha do primeiro turno. A avaliação é que o assunto não deveria voltar ao foco das atenções neste momento e que as conversas deveriam se ater aos aspectos técnicos entre Petrobras e a estatal local YPFB. A estatal ainda não confirmou presença na reunião de segunda-feira.A Bolívia corre contra o tempo para cumprir o prazo estabelecido no decreto de nacionalização, que vence no dia 28 de outubro. Há um projeto de lei no Congresso local que amplia o prazo em mais 30 dias, mas, na avaliação de especialistas locais, a mudança seria desfavorável para o governo: além de garantir munição para a oposição local, pode frustrar a parcela da população que depositou grandes esperanças no projeto de nacionalização do gás, principal bandeira de Morales.Para uma fonte do Itamaraty, o governo boliviano está agora sofrendo as conseqüências da demora em tocar o processo de negociações. "Eles perderam cinco meses com despreparo para negociar e com bravatas contra as empresas. Agora, querem resolver tudo nos 30 dias restantes", avalia. Segundo a Agência Boliviana de Informações, o ministro Villegas confia no "respaldo" dado por Lula ao processo de nacionalização. "O único que faço é repetir e parafrasear o que disse o presidente Lula em diversas oportunidades: que respeitam e acatam o conteúdo, o espírito, do decreto de nacionalização", afirmou.

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