Bolívia e Brasil vão retomar diálogo sobre gás

A Bolívia retomou nesta quarta-feira as negociações com o Brasil para fixar um novo preço para o gás que vende ao País, com uma reunião entre delegações da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e da Petrobras. A reunião, que durará dois dias, ocorre na sede da YPFB, na cidade boliviana de Santa Cruz.A missão brasileira é composta por seis representantes, liderados pelo gerente de gás da Petrobras, Rogério Manso. Entre os representantes bolivianos não está o presidente da companhia, Jorge Alvarado, que nesta quarta adiantou à imprensa em La Paz que a Bolívia proporá uma nova fórmula para que a tarifa seja revisada periodicamente, até atingir um preço satisfatório. O contrato atual já inclui um mecanismo similar de ajuste de preços, mas a Bolívia o considera insuficiente."Nós estamos propondo uma fórmula que sirva como base de discussão", cujas características podem ser apresentadas "já esta tarde, ou amanhã (quinta)", indicou Alvarado.Preço baseO funcionário acrescentou que "um dos pontos mais importantes da fórmula é o preço base" do hidrocarboneto, que atualmente é de US$4 por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica).Este preço é inferior aos US$7,5 dos combustíveis que teriam que ser pagos pela indústria de São Paulo, destino final do produto, caso não tivesse a opção do gás boliviano.O dirigente da YPFB disse à rede de televisão ATB que o governo de La Paz tomará "como referência para este preço base" a nova tarifa de venda à Argentina, embora existam outros fatores que influam nos preços de venda do gás boliviano ao Brasil.ArgentinaNo final de junho, o presidente da Bolívia, Evo Morales, e da Argentina, Néstor Kirchner, concordaram em aumentar de US$3,3 para US$5 por milhão de BTU o preço do gás boliviano, o que representou uma alta de 56%.Bolívia e Brasil começaram a negociar um novo preço para o gás no dia 29 de junho, data a partir da qual as partes têm um prazo de 45 dias para chegarem a um acordo. Estourado este prazo, o contrato estabelece a criação de uma arbitragem internacional para decidir a questão.O ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Andrés Soliz, disse na última segunda-feira que "esse prazo também pode ser ampliado".Exportações A Bolívia exporta ao Brasil cerca de 26 milhões de metros cúbicos de gás, um volume que as autoridades de Brasília desejavam aumentar até a nacionalização dos hidrocarbonetos, em maio passado, que colocou contra a parede a Petrobras, a principal investidora no setor petroleiro boliviano.O acordo assinado por Morales e Kirchner fixa em 7,7 milhões de metros cúbicos o volume de gás que a Bolívia enviará até o fim de ano à Argentina, e estabelece uma fórmula para ajustar a tarifa até a conclusão do Gasoduto do Nordeste Argentino, um projeto que possibilitará o envio de até 27,7 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. Empréstimo Enquanto a Petrobras discute a sua situação na Bolívia, o maior banco de fomento da América Latina, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), iniciou negociações com o governo boliviano para a concessão de financiamentos que permitam à Bolívia importar produtos brasileiros. A mando do Palácio do Planalto, uma missão do BNDES esteve na sexta-feira em La Paz para apresentar as modalidades de financiamentos disponíveis na instituição. Foi o primeiro contato e espera agora o retorno dos bolivianos.

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