Bolívia e Equador podem se tornar membros do Mercosul

Proposta é defendida pelo chanceler Antonio Patriota, que também espera o ingresso da [br]Venezuela no bloco

Ariel Palacios e Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

ENVIADOS ESPECIAIS / ASSUNÇÃO

O chanceler Antonio Patriota declarou ontem que os países do Mercosul convidarão "em breve" a Bolívia e o Equador a tornar-se membros plenos do bloco do Cone Sul. Segundo o ministro, "existe um sentimento (entre os países do Mercosul) de que chegou o momento de aproximação maior com potenciais candidatos" a entrar de forma plena para o bloco.

O chanceler brasileiro afirmou que o alto representante-geral do Mercosul, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, visitará "em breve" a capital boliviana, La Paz, e a equatoriana, Quito, acompanhado de quatro diplomatas (um de cada país do bloco). No entanto, Patriota indicou que não existem perspectivas sobre a velocidade da hipotética entrada da Bolívia e do Equador no Mercosul.

Perguntado sobre a demora na aprovação final da entrada da Venezuela no Mercosul como membro pleno, Patriota fez uma pausa, meditou, colocou as palmas da mãos para cima e explicou que o assunto ainda estava pendente no (Senado do) Paraguai. "Só falta a aprovação do Paraguai." O chanceler indicou que espera que essa aprovação ocorra "o mais rápido possível".

Mas, ao contrário dos Parlamentos do Brasil, Argentina e Uruguai, que aprovaram ao longo dos últimos anos a entrada plena da Venezuela no Mercosul, o Senado paraguaio - com ampla maioria da oposição - recusa-se a aceitar a presença de Hugo Chávez no bloco. Desde o ano passado, parlamentares da oposição paraguaia denunciaram tentativas de suborno por parte de Caracas para aprovar a entrada da Venezuela. Há, ainda, queixas sobre a falta de democracia na Venezuela. Questionado sobre isso, Patriota lembrou que o governo de Chávez foi "democraticamente eleito".

O país caribenho ostenta há mais de meia década o título de "membro pleno em processo de adesão" do Mercosul. Outro candidato a tornar-se membro pleno é o Peru. O presidente eleito, Ollanta Humalla, demonstrou interesse. Patriota, no entanto, explicou que, apesar do interesse ser recíproco por conta do Mercosul, tratados peruanos já existentes com Estados Unidos e União Europeia podem dificultar o processo. Além da Venezuela, são países "associados" ao Mercosul a Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador. Os membros plenos são a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

Moeda única.[ ] [/ ]O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, afirmou que cada país do Mercosul deveria conservar suas próprias moedas, descartando o velho plano da criação de uma moeda única para o bloco.

Boudou será o vice na chapa presidencial de Cristina Kirchner à reeleição em outubro. "Tendo em vista o que está ocorrendo na Europa, a experiência (da moeda única) gera dúvidas."

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