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Bolívia faz acordo com petroleiras

Observadores da negociação dizem que Petrobrás foi a companhia mais prejudicada

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2022 | 00h00

A estatal boliviana YPFB anunciou ontem que concluiu as negociações sobre os acordos de entrega da produção de petróleo e gás de todas as empresas estrangeiras que operam no país, incluindo a Petrobrás. As conversas avançaram por toda terça-feira, um dia após o prazo dado pelo governo local, e os novos termos ainda deverão ser aprovados pelas matrizes das companhias. Na opinião de observadores próximos, a estatal brasileira foi, mais uma vez, a mais prejudicada no processo.A Petrobrás foi uma das últimas a fechar o acordo, apontam fontes próximas às negociações. À imprensa local, o presidente da YPFB, Guillermo Aruquipa, disse que houve reuniões por toda a madrugada e que os primeiros sinais de consenso surgiram de manhã. As empresas levam agora uma minuta do acordo de entrega para avaliação em seus países de origem. A previsão é que em duas semanas os termos sejam assinados definitivamente.Os acordos de entrega estipulam o destino da produção de cada campo, fator que tem grande relevância sobre a rentabilidade dos projetos. Isso porque o mercado interno, considerado prioritário, paga pouco mais de US$ 1 por milhão de BTU, enquanto as exportações para o Brasil valem cerca de US$ 4 por milhão de BTU. O contrato futuro com a Argentina, terceiro na ordem de prioridades, vai pagar US$ 5.É justamente na redistribuição dos volumes de entrega que residem as perdas da Petrobrás, dizem as fontes. As negociações confirmam o modelo da resolução 255, do início do ano, que desviou parte do gás dos campos de San Alberto e San Antonio, operados pela companhia, para o mercado interno. A resolução determina que cada campo terá uma parcela de vendas no mercado interno proporcional à sua importância no volume total produzido no país.Responsáveis por 60% da produção nacional, San Alberto e San Antonio terão de garantir 60% do consumo interno. Serão até 3 milhões de metros cúbicos por dia para Bolívia, crescimento de 10 vezes ante o volume vendido antes da medida. A Petrobrás será obrigada a reduzir suas exportações para o Brasil.Estima-se que, em um primeiro momento, a estatal venderá 2 milhões de metros cúbicos menos, por dia, ao mercado brasileiro - volume que poderá ser suprido por outras companhias. O problema, porém, tende a se complicar, uma vez que o governo local estima que o consumo interno atinja 15 milhões de metros cúbicos em 2010. O gargalo pode forçar um aumento dos investimentos da estatal no país vizinho.Ao contrário do que vem divulgando La Paz, as empresas ainda não fizeram compromissos de investimento, diz uma fonte. Os novos programas de desenvolvimento de reservas só devem ser entregues em novembro. No Rio, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, disse que a companhia investirá apenas o necessário para manter os níveis de produção nos campos. Ele não comentou os novos acordos. COLABOROU KELLY LIMA

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