Bolívia faz consumidor brasileiro pagar mais pelo gás

O governo boliviano iniciou uma ofensiva para aumentar o preço do gás que vende ao Brasil. A Petrobrás já foi informada de que a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPFB) pretende reabrir a revisão periódica dos preços, que foi suspensa a pedido dos bolivianos. Para pressionar as negociações, o ministro dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Radas, declarou na semana passada que sem reajuste de preços não haverá aumento das exportações do combustível, necessárias para evitar problemas de suprimento a partir de 2008. ?Queremos vender mais gás, mas a preços maiores?, afirmou o ministro. A Petrobrás já mudou sua política de preços para o consumidor brasileiro, com repasses trimestrais da cotação do gás importado da Bolívia. O primeiro aumento com base nos preços bolivianos ocorreu em setembro e foi de 13% para as distribuidoras; o segundo, em novembro, foi de 10%; em janeiro foram mais 14%. Em fevereiro, os aumentos chegaram ao consumidor. Nas residências paulistas a alta foi de 7% a 9% na Comgás e 7,28% na Gás Natural. Nos postos, o gás natural veicular (GNV) teve alta média de 6%. Os novos aumentos para o consumidor estão previstos para maio. Revisão de preços O contrato de venda da Bolívia para o Brasil, que dura até 2019, prevê períodos de revisão dos preços, para que as condições sejam adequadas a mudanças bruscas de cenário. De acordo com o presidente da Petrobrás Bolívia, José Fernando de Freitas, a última revisão ocorreu em 2004, cinco anos após o início das importações. ?Mas as negociações foram suspensas pelo próprio governo da Bolívia, quando percebeu que o preço poderia cair?, disse. O gás boliviano é entregue à Petrobrás, na fronteira, a US$ 3,2 por milhão de pés cúbicos. Soliz não quis informar qual seria o valor ideal, mas disse que o Chile, por exemplo, planeja importar gás liquefeito a preços entre US$ 7 e US$ 9 por milhão de pés cúbicos. ?Se não houver aumentos, não haverá novos volumes?, reforçou. Empresas querem mais As declarações foram feitas três dias depois de a Transportadora Brasileira do Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) informar que cinco empresas querem importar mais 36 milhões de [[[m³]]] por dia da Bolívia, no processo de ampliação da tubulação inaugurada em 1999. O gasoduto pode transportar 30 milhões de [[[m³]]] por dia, mas deverá ser ampliado. Pelos resultados dos leilões de energia elétrica realizados pelo governo, estima-se que a geração térmica a gás terá importante papel no setor energético brasileiro. As negociações sobre os preços fazem parte da primeira etapa de ajustes que o governo Evo Morales pretende fazer antes de iniciar a discussão dos novos contratos. O governo boliviano quer cobrar ainda mais de US$ 500 milhões da Petrobrás, a título de diferenças no recolhimento de impostos e nos preços do gás já pago mas não consumido.

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