Bolívia fica de fora das discussões sobre gás natural no Rio

Apesar de ser considerado o tema central de todas as discussões relativas às perspectivas de oferta e demanda de gás natural, no Cone Sul, para os próximos anos, e ainda deter as principais reservas deste combustível, a Bolívia ficou completamente de fora das discussões do principal fórum do setor, que aconteceu esta semana no Rio de Janeiro.Ao contrário das estatais Pemex (México), Ecopetrol (Colômbia), PDVSA (Venezuela), PeruPetro (Peru)e Petrobras (Brasil), que tiveram presença maciça no evento Latin American Oil & Gas, ao lado de grandes companhias do setor, como Shell, BG, Total, Repsol e Statoil, a companhia boliviana YPBF sequer chegou a ser listada entre as apresentações do evento.As frases "não falo sobre isso", "este assunto pertence a outro departamento", "não tenho conhecimento sobre o assunto", ou até "não me coloque em situação difícil" foram as principais respostas dos executivos que participaram desta décima segunda edição da conferência.Indagados sobre a ausência da YPBF, os organizadores apenas disseram que a empresa havia sido convidada, mas não pudera enviar representantes.BrevidadeO tema "Bolívia" com as implicações da nova lei de hidrocarbonetos no país e ainda o novo governo de Evo Moralez foram apenas citados brevemente durante as palestras como sendo pontos ainda "pendentes" nas decisões das empresas para os próximos anos. A situação "indefinida" sobre a estatização das reservas - que ainda aguarda a regulamentação da lei de hidrocarbonetos - e mesmo a decisão de algumas empresas de deixar o país por conta das novas taxas sobre o combustível, viraram tabu entre os representantes da Shell, BG, Total e Repsol. O vice-presidente e Exploração e Produção da Shell, John Haney, por exemplo, optou por responder a pergunta de repórteres a respeito da Bolívia, criticando a falta de definição na política brasileira relativa ao setor de gás natural. "É preciso que se defina urgentemente qual dos projetos de lei do gás vai realmente valer", disse lembrando a existência de três projetos em discussão nesta sexta. Para ele, desta decisão depende a definição da empresa sobre seus planos de investir na ampliação do gasoduto Brasil Bolívia.DiferenciaçãoTambém durante o evento, as empresas de países vizinhos fizeram questão de se diferenciar da Bolívia. O representante da Colômbia, por exemplo, frisou a estabilidade política de seu país como sendo a principal vantagem a ser oferecida a futuros investidores. Já o diretor de Explorações da PDVSA, Eulogio Del Pino, destacou que as mudanças na lei venezuelana de cobrança de tributos sobre a exploração de petróleo no país "só ocorreu porque os contratos com as companhias privadas se encerraram em 2005". "Em nenhum momento quebramos os contratos. Apenas mudamos as regras para a renovação", disse. A Venezuela alterou, no ano passado, o porcentual da cobrança de royalties para os projetos existentes de 16% para 34% e sobre novos projetos de 30% para 50%, além de estabelecer que nenhuma das reservas terá mais a concessão integral às empresas privadas, e sim uma participação da PDVSA no negócio.

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