Bolívia garante que nacionalização só afeta hidrocarbonetos

O ministro de Planejamento da Bolívia, Carlos Villegas, assegurou nesta sexta-feira que a decisão de nacionalizar os hidrocarbonetos não se estenderá a outros setores onde operam companhias nacionais e estrangeiras, às quais garantiu "plena segurança jurídica". Segundo entrevista à rádio espanhola Cadena Ser, a garantia é dada "às empresas espanholas que estão na área de eletricidade, de fabricação de explosivos e em outras atividades".O titular de Planejamento explicou que o Executivo boliviano decidiu que os hidrocarbonetos e a mineração são "áreas estratégicas, onde o Estado tem de participar e onde haverá mudanças nas regras do jogo". Já para os demais setores "não haverá modificações de nenhuma natureza".Villegas lembrou que o presidente da Bolívia, Evo Morales, já havia anunciado mudanças na sua visita à Europa e Ásia e, no caso da Espanha, ele explicara ao governo, à Repsol YPF e à patronal que o Estado ia ter "um papel protagonista na atividade dos hidrocarbonetos".Estudo Segundo o ministro, as autoridades bolivianas fizeram um estudo técnico e econômico prévio para definir a percentagem de 82% que deve ser revertida ao Estado. Além disso, ele indicou que com os 18% restantes as empresas recuperarão seus custos de investimento e obterão um ganho de aproximadamente 20%, número que qualificou de "bastante aceitável".Por outro lado, Villegas negou que a intenção do governo tenha sido "alterar, fraturar e angustiar as relações bilaterais" com a Espanha e considerou que a nacionalização "tinha que chegar à Bolívia" devido ao "contexto interno, aos conflitos sociais e à profunda crise política e econômica" do país.

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