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Bolívia não indenizará grupo espanhol por entrega de ações

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta terça-feira que o Estado boliviano não indenizará o BBVA pela entrega das ações que o grupo bancário espanhol administra nas petrolíferas desse país. "Não estamos expropriando ninguém, só estamos recuperando o que corresponde ao povo da Bolívia", disse à imprensa, após encontro com o ministro das Relações Exteriores belga, Karel de Gucht.O governo boliviano anunciou na última segunda-feira um novo decreto, complementar ao de nacionalização dos hidrocarbonetos (gás e petróleo), que dá três dias ao banco espanhol BBVA e à seguradora suíça Zurich para entregar "a título gratuito" as ações que administram, por meio de um fundo de pensões, nas empresas nacionalizadas.O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, advertiu que se a exigência não for cumprida, as filiais bolivianas do BBVA e do Zurich sofrerão intervenção do Estado.Morales afirmou em que os fundos são contribuições dos trabalhadores, que até então "eram administrados pela empresa privada e agora serão administrados pelo Estado". Problemas Morales afirmou ainda acreditar que as multinacionais e a embaixada dos Estados Unidos em La Paz tentam provocar problemas econômicos e sociais em seu país, com o intuito de impedir reformas. As declarações foram publicadas nesta terça pelo jornal francês Le Figaro.Um exemplo da atitude hostil dos EUA, segundo Morales, é o fato de que foi o único país que não enviou representantes diplomáticos quando o núncio apostólico visitou a Bolívia, um "sinal de desprezo". O presidente também reclamou que Washington se nega a dar vistos de entrada a senadores bolivianos. Aliança Em relação à aliança com Cuba e Venezuela, Morales explicou que "quando dizem que Hugo Chávez é meu tutor, respondo que Chávez é o tutor de todo o povo boliviano". Ele afirmou que os venezuelanos gozam de uma situação econômica melhor que a dos bolivianos "graças à soberania que exercem sobre seus recursos naturais", e que por isso "ajudam sem pedir compensações".Quanto a Cuba, "ajuda a desbloquear a Bolívia do ponto de vista social, nos terrenos da saúde e da alfabetização".Além dessas alianças, ele comentou que "o governo espanhol também se comprometeu a anular a dívida para financiar programas de educação", assim como o Banco Mundial, "pela primeira vez". Outros países europeus e o Japão estudam o mesmo caminho.

Agencia Estado,

16 de maio de 2006 | 15h19

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