Bolívia não prorroga prazo para negociações sobre gás

O governo da Bolívia não tem planos de prorrogar o prazo para que as companhias de petróleo estrangeiras assinem novos contratos para produção de gás no país, sob o risco de perderem suas concessões, que se encerra no final do mês, disse o novo ministro de Energia, Carlos Villegas, em entrevista coletiva à imprensa. "O prazo se encerra no final de outubro e posso ratificar que estamos trabalhando duro para cumpri-lo", disse Villegas. Contudo, ele observou de uma forma um tanto ambígua que a questão do prazo era parte do "processo de negociação" e reconheceu que aquelas negociações são "muito difíceis". As declarações de Villegas decorrem da recente proposta de parlamentares bolivianos de estender as negociações para a implementação da planejada nacionalização das reservas de gás do país por pelo menos mais 30 dias. Uma prorrogação permitiria ao Brasil, maior consumidor de gás da Bolívia, realizar o segundo turno da eleição para presidente no dia 29 de outubro, antes que a estatal conclua as negociações. Villegas disse que não poderia especular sobre o impacto nas negociações das eleições ocorridas no final de semana no Brasil, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, obteve menos votos do que esperava e agora terá de disputar um segundo turno contra o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que concorre pelo PSDB.A questão do gásA ameaça de retirar as concessões das companhias estrangeiras surgiu em 1º de maio, quando foi publicado o decreto que estabelecia a "nacionalização" dos campos de gás da Bolívia e elevava os impostos e pagamentos de royalties sobre a produção de petróleo e gás dos grandes campos, que são operados pela Repsol-YPF e pela Petrobras.Com a Bolívia mantendo sua posição linha dura sobre a nacionalização e, em meio a fortes demandas políticas domésticas para manter os royalties elevados, as negociações com o Brasil têm sido extremamente tensas. Recentemente, o presidente Lula atacou a tática linha dura aplicada pela Bolívia.

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