Bolívia pede cordialidade em negociações com a Petrobras

O ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andres Soliz-Rada, pediu, nesta quinta-feira, mais cordialidade nas negociações entre o governo local e as petroleiras privadas que atuam no país, notadamente a Petrobras. Soliz-Rada concedeu uma entrevista coletiva para comentar as declarações feitas na última quarta-feira pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que disse que a estatal brasileira não aceitará medidas unilaterais. Segundo observadores locais, o ministro boliviano quis passar a mensagem de que não há outra alternativa senão as negociações entre as partes. "Queremos vender mais gás ao Brasil, mas também queremos preços melhores", afirmou. O ministro negou que as negociações com a estatal tenham sido suspensas, conforme reclamou Gabrielli. Segundo ele, há reuniões freqüentes entre comitês gerenciais formados por representantes dos dois lados. Revisão de preçosNesse momento, disse, os principais pontos em questão são a revisão dos preços de venda do gás ao Brasil e uma diferença de US$ 450 milhões pleiteado pelo governo boliviano junto à estatal. O valor refere-se à diferença entre os preços pagos no passado por volumes não importados pela Petrobras, que deverão ser entregues no futuro. Por falta de mercado, a Petrobras não conseguiu durante o período importar todo o volume contratado e quer trazê-lo ao Brasil no final do contrato. Mas a estatal pretende pagar os preços vigentes no período em que esse gás deveria ter sido implantado. Os bolivianos, por outro lado, querem novos preços. Esses dois pontos referem-se a negociações sobre o passivo anterior do contrato Brasil-Bolívia. Em paralelo, o governo boliviano começa a trabalhar em novos contratos de concessão de reservas para o futuro. Os decretos com as regras para os contratos deverão ser lançados em abril. Soliz-Rada afirmou que é natural que a Petrobras suspenda seus investimentos enquanto essas últimas negociações não avançarem. O governo boliviano espera implementar um novo modelo para o setor de gás em seis meses.

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