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Bolívia pressiona petrolíferas estrangeiras

O presidente da Bolívia, Evo Morales, já tem uma nova carta nas mãos para endurecer o discurso nas negociações com as companhias petrolíferas. Segundo o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, as 49 auditorias realizadas nas empresas, a pedido do governo, detectaram que várias companhias superestimaram seus investimentos em exploração e venderam gás boliviano a preços mais baixos para suas subsidiárias em outros países, obtendo assim lucros "milionários". As auditorias revelam, conforme Villegas, que os números oficiais apresentados pelas empresas contabilizaram investimentos muito acima do que os efetivamente realizados, inflando os lucros das companhias.De acordo com a estatal Agência Boliviana de Informações (ABI), as auditorias verificaram diferenças substanciais no custo da perfuração de poços que vão desde US$ 20 milhões até US$ 40 milhões por poço. "Se bem é certo que a topografia onde estão os campos poderia levar a pensar em custos elevados, não deveriam mostrar essas diferenças extremas entre ambas somas", disse Villegas, segundo a ABI. O ministro acusou as companhias de terem apresentado números diferentes dos que foram revelados pelas auditorias.Sem mencionar diretamente a Petrobras e a Repsol, Villegas afirmou que algumas companhias venderam gás natural boliviano ao Brasil e à Argentina abaixo dos preços estabelecidos nos respectivos contratos porque a Lei de Hidrocarbonetos de (Gonzalo) Sánchez de Lozada, adotada no governo do ex-presidente, concedia às empresas liberdade para fixar preços, encontrar mercados e definir políticas. Por exemplo, "enquanto o preço oficial de gás ao Brasil era de US$ 3,35 por milhão de BTU, uma destas companhias vendia por US$ 1,09 o milhão de BTU, com graves prejuízos para a Bolívia", disse o ministro.As petrolíferas obtinham "lucros extraordinários porque o gás que levavam daqui era matéria prima para outro país" e os lucros se multiplicavam porque a empresa que comprava o gás boliviano nesses países eram as mesmas, afirma a ABI. "As empresas obtiveram no mercado interno lucros muito altos. Estamos falando de 20 a 25% da taxa interna de retorno", afirmou o ministro à ABI, lembrando que as petrolíferas têm um prazo de até o dia 28 de outubro para firmar novos contratos com o Estado, obedecendo a lei de nacionalização dos hidrocarbonetos. Villegas diz "confiar" no cumprimento do prazo. "Todas as empresas estão negociando com uma boa atitude e disposição", comentou o ministro. ComissãoO governo da Bolívia vai propor a criação de uma Comissão Energética Regional para colocar em prática a integração energética com objetivo de reduzir as desigualdades entre os países da América do Sul. A proposta será apresentada pelo presidente Evo Morales durante a Cúpula da Comunidade Sul Americana de Nações, a ser realizada nos dias 8 e 9 de dezembro, em Cochabamba, segundo informações da agência boliviana Penti-Jatha.Embora as negociações sobre o preço do gás que a Bolívia vende aos países vizinhos sejam bilaterais, Morales pretende colocar a discussão energética em uma esfera regional, considerando aspectos como o preço internacional e as necessidades de cada país para conseguir seu próprio desenvolvimento industrial. "O que se busca não é só uma relação entre a oferta e a demanda, mas também analisar como se pode utilizar o mecanismo do preço para conseguir equiparar as profundas assimetrias que existem na região", explicou à agência Pablo Solón, embaixador representante para Temas de Integração e Comércio.Outro objetivo da Comissão Energética é garantir, através do financiamento comum, o desenvolvimento da infra-estrutura necessária para que os recursos energéticos dos países produtores cheguem a toda América do Sul. "A idéia é que o projeto seja financiado por todos os países, permitindo desenvolver linhas de transmissão elétrica, gasodutos e oleodutos que chegariam igualmente aos grandes centros exportadores, bem como às pequenas populações", detalhou Solón.O projeto tem o objetivo de realizar uma "integração real no marco da segurança energética, garantindo a produção suficiente de energia, gás e petróleo que os países da região necessitam para ter soberania energética", afirma o embaixador.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2006 | 19h12

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