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Bolívia quer rever venda de gás

Novo contrato permitiria vender mais a outros países

Wellington Bahnemann, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

A Bolívia pretende alterar o contrato de venda de gás natural ao Brasil, revelou o presidente da estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Carlos Villegas. Diante da retração das importações brasileiras nos últimos meses, provocada pela crise econômica, a intenção dos bolivianos é direcionar uma parcela maior de seu gás a outros países. As informações foram divulgadas ontem pela Agência Boliviana de Informação, ligada ao governo do país. Carlos Villegas afirmou que as dificuldades no mercado brasileiro afetam a produção boliviana do insumo. "Por isso, é importante continuar na possibilidade de uma modificação do contrato com o Brasil, de tal maneira que o novo contrato nos libere uma quantidade importante de gás para destinar a outros mercados." Segundo o Ministério de Minas e Energia, a importação brasileira de gás caiu 27,6% no acumulado deste ano até junho ante igual período de 2008, de 31,19 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) para 22,58 milhões de m³/d. Em 1999, o Brasil firmou um compromisso por 20 anos de contratar até 30 milhões de m³/d de gás da Bolívia. A venda de gás ao Brasil é o principal item da pauta de exportação boliviana. Vale lembrar, no entanto, que o contrato firmado entre as partes contém a cláusula de "take or pay", ou seja, o pagamento é feito mesmo se o insumo não for retirado pelo Brasil. Nesse acordo, o consumo mínimo anual é de 24 milhões de m³/d. Se a importação ficar abaixo disso, a Petrobrás paga pelos 24 milhões de m³/d, o que garante remuneração mínima à Bolívia. Por outro lado, a queda na produção local de gás cria problemas de abastecimento para a Bolívia, uma vez que a produção local de gás de cozinha e até de combustíveis líquidos, como gasolina e diesel, depende de frações extraídas dos poços junto com o gás natural. Amanhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará à Bolívia e se reunirá com o presidente boliviano, Evo Morales. O gás natural estará na pauta no encontro dos dois presidentes, que será realizado na cidade de Cochabamba. COLABOROU NICOLA PAMPLONA

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