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Bolívia reage com cautela à descoberta de gás no Brasil

O governo boliviano reagiu com extrema cautela sobre notícias relacionadas às descobertas de gás na Bacia de Santos, que, de acordo com a Petrobras, teriam um volume igual ao das reservas da Bolívia, consideradas as maiores da América Latina. O ministro de Minas e Hidrocarburos da Bolívia, Jorge Berindoague, disse à Agência Estado, que o governo boliviano "acaba de receber essa informação e, agora, precisa ser analisada com calma e em detalhes".A Petrobras informou que os novos testes feitos indicavam que as reservas de gás natural descobertas em abril na Bacia de Santos se aproximavam de 419 bilhões de metros cúbicos, volume suficiente para triplicar as atuais reservas brasileiras, atualmente em cerca de 200 bilhões de metros cúbicos. O campo, que de acordo com analistas seria também comparável ao de Camisea, no Peru, chegou a ser encarado na empresa como "a Bolívia do litoral paulista".Em respostas lacônicas enviadas por correio eletrônico, o ministro afirmou não ter nenhuma outra declaração a fazer. No entanto, acrescenta Berindoague no e-mail: "a Bolívia quer ter certeza de que essas reservas serão devidamente confirmadas e certificadas". O ministro afirma ainda que o contrato de venda de gás continua seu curso, independentemente do trabalho interno do Brasil na questão de prospecção e exploração de gás natural.Os dois países assinaram um acordo que inclui a cláusula "take or pay", com a qual o Brasil se compromete a pagar pela quantidade de gás acertada, mesmo que não consiga consumi-la. Quando o acordo foi assinado na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Brasil previa construir 50 termelétricas, mas apenas 18 foram concretizadas. Com isso, a importação de gás no ano passado nem mesmo chegou a 20 milhões de metros cúbicos por dia, dos 30 milhões de metros cúbicos previstos no contrato.Pior, o consumo não passou de 12 milhões de metros cúbicos por dia, razão pela qual o Brasil pediu a renegociação do contrato, principalmente no que se refere à cláusula do "take or pay" e ao preço do gás. O acordo com a Bolívia prevê a importação de 30 milhões de metros cúbicos por dia. Segundo avaliações preliminares, o gás de Santos chegará ao Continente a R$ 0,20 por metro cúbico, contra os R$ 0,30 cobrados pela Bolívia.Até agora, representantes dos dois países já se reuniram quatro vezes. O Brasil apresentou uma contraproposta, mas a Bolívia solicitou maiores informações. O Brasil estaria disposto a não reduzir o volume de importação prometendo desenvolver seu mercado interno ampliando a matriz energética com gás natural, mas com a condição de que a Bolívia reduza o preço. Berindoague informou ainda que, na quarta-feira, a Bolívia propôs reduzir o poder calorífico do gás natural para reter o gás liqüefeito de petróleo (GLP) que flui com o gás natural e cobrar por todo o restante de GLP já enviado.

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