Bolívia recomenda cautela em negociação com o Brasil

O chanceler boliviano, David Choquehuanca, recomendou nesta terça-feira que os negociadores de seu país atuem com "muito cuidado" na nova rodada de negociações com o Brasil sobre o gás, que começa a partir de amanhã. O motivo, segundo ele, é que o documento terá vigência até 2019."Temos que ter muito cuidado com o Brasil. Nossos técnicos têm que ter muito cuidado ao analisar os termos dos contratos, porque têm que ser pensados em longo impulso e em defender os interesses dos bolivianos", disse Choquehuanca.A recomendação vem um dia depois de o ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Andrés Soliz, considerar "muito dura" a posição do Governo brasileiro nessas conversas iniciadas em 29 de junho, que atribuiu à atual campanha eleitoral no país.De acordo com Soliz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não quer perder votos mostrando uma atitude branda contra o Governo de La Paz, nem que a oposição de direita o critique como quando seu colega da Bolívia, Evo Morales, nacionalizou os hidrocarbonetos e afetou os investimentos da Petrobras.As negociações sobre a nova tarifa do gás continuarão na próxima quarta-feira na cidade boliviana de Santa Cruz, entre diplomatas dos dois países e funcionários da Petrobras e da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB, estatal)."A única coisa que pedimos é que se cumpram as leis neste país e estamos esperando que esta empresa (Petrobras) se adapte às nossas normas", disse o ministro.Valores A Bolívia considerou que o Brasil deve pagar preço similar aos US$ 7,5 ou US$ 8 por milhão de BTU (British Thermal Unit) que valem outros combustíveis usados em São Paulo, aonde chega o gás boliviano, que atualmente é vendido a US$ 4.O Brasil respondeu que há um contrato vigente entre os dois países, com uma fórmula para fixar o preço, e que o assinado deve ser respeitado.A Argentina aceitou pagar a Bolívia, a partir do dia 15 de julho e até o fim de ano, US$ 5 por milhão de BTU."Nós temos que tentar sempre obter maiores benefícios para nosso povo", disse o ministro de Exteriores boliviano.Além do preço, Bolívia e Brasil também negociam a indenização a ser dada por La Paz após ter nacionalizado a filial de refino da Petrobras, em 1º de maio.

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