Bolívia terá grandes custos com nacionalização, destaca Economist

A ruptura de contratos e o confisco de propriedades acarreta custos raramente admitidos pelos defensores do nacionalização dos recursos naturais na América Latina e em outras regiões, adverte hoje em um editorial a revista britânica The Economist. O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez a aposta em que as multinacionais "permanecerão (no país) como prestadoras de serviços, sob duras condições", diz o artigo."Mesmo que o façam", acrescenta, "uma nacionalização deixa os estrangeiros mais receosos na hora de investir no futuro, e encarece o capital não só na indústria petrolífera, mas no conjunto da economia". "Quando cair o preço e os países produtores se derem conta de que é muito caro desenvolver seus próprios recursos, as empresas estrangeiras exigirão melhores condições (...), lançando assim um ciclo destrutivo de renegociações e revogações de contrato"."Essa é a terceira vez que a Bolívia nacionalizada sua indústria petrolífera, e a segunda que a Venezuela pressiona os estrangeiros", diz o artigo, que lembra que, após nacionalizar o setor, em 1975, voltou a convidar os investidores, duas décadas depois. As companhias estatais "são às vezes ineficazes e correm o risco de politização, como ocorreu com a da Venezuela sob Chávez", acrescenta.Desde que o presidente venezuelano "provocou uma greve, e despediu muitos dos grevistas, há três anos, a produção caiu fortemente", lembra o texto. "A corrupção é outro problema muito amplo, embora talvez constitua um elemento sedutor aos olhos de alguns políticos", diz ainda o editorial."Pelo menos", acrescenta, "é muito provável que as petrolíferas administradas pelo Estado sofram de investimento insuficiente, já que os Governos as espremem para extrair-lhes o máximo de receita". "O petróleo e o gás são um negócio cíclico. Os países produtores deveriam planejar, durante os anos de abundância, para garantir os de vacas magras, como fazem as empresas privadas". "Isso não quer dizer que nunca possam renegociar contratos onerosos, mas deveriam fazê-lo sem muitas bravatas, conscientes do que pode ocorrer da próxima vez que o cenário mudar", aconselha o editorial.

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