Mauro Pimentel/AFP
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Condenação de Lula faz Bolsa atingir 83,6 mil pontos e dólar cair a R$ 3,17

Para economistas e analistas do mercado financeiro, resultado desta quarta-feira diminui as chances de que o petista possa disputar as eleições em outubro, o que abriria espaço para um candidato reformista; avaliação é de que decisão reduz incertezas

O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2018 | 10h21
Atualizado 25 de janeiro de 2018 | 10h17

O mercado financeiro teve um dia de euforia nesta quarta-feira, 24, com a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que confirmou em votação unânime dos desembargadores a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em patamar inédito, aos 83.680 pontos, alta de 3,72%. O dólar à vista caiu 1,93%, cotado a R$ 3,173, também acompanhando a desvalorização que a moeda norte-americana teve ao redor do mundo.

Ao longo dia, o mercado reagiu acompanhando as movimentações no tribunal de Porto Alegre. A Bolsa ganhou força após o relator e o revisor não só rejeitarem o recurso do petista contra a condenação dada pelo juiz Sérgio Moro, mas também pedirem o aumento da pena de Lula. O giro financeiro da Bolsa foi forte, de R$ 15,7 bilhões.

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A leitura dos agentes financeiros é que diminuíram as chances de que o petista esteja elegível perto da data da eleição, uma vez que dependeria de recursos e decisões favoráveis em instâncias superiores. 

Em Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, o presidente Michel Temer evitou comentar o julgamento de Lula. “Vamos aguardar a decisão final. Não sei se tem recurso, se não tem recurso. Essa decisão cabe à Justiça e, em particular, ao TRF-4.”

Ele, porém, comemorou os resultados da Bolsa. “Agora acabei de receber uma boa notícia. Como eu disse pela manhã, que tudo iria seguir na maior absoluta normalidade, a Bolsa bateu os 83 mil pontos. De modo que o discurso (no Fórum) intercedeu com a repercussão, pelo que estou vendo. E foi muito exitosa a nossa vinda para cá.”

Dia seguinte. Para José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos, a maior consequência da condenação unânime em segunda instância é a redução das incertezas políticas e econômicas. “Quem está a favor de Lula, achou ruim; quem está contra, gostou, mas tudo ficou menos incerto.” 

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Camargo acrescenta que os ativos brasileiros deverão se valorizar num primeiro momento, mas que a cotação deles dependerá do que acontecer com os indicadores econômicos - desemprego e produção. 

O sócio e estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, diz que a condenação abre espaço para as reformas econômicas, pois reduz a probabilidade de Lula conseguir se candidatar e torna mais fácil a vitória nas eleições de um candidato reformista de centro. “O resultado é um empecilho a mais para Lula. O aumento da pena piora ainda mais para ele.”

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, concorda que, após a decisão de ontem, a possibilidade de que um candidato reformista chegue ao Planalto fica mais sólida. “Nas próximas semanas, o mercado deve demonstrar uma certeza maior de que a candidatura Lula foi para o espaço. A leitura é que provavelmente o ex-presidente não tem mais chance.”

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Ele avalia que o nervosismo do mercado com um possível novo governo Lula se dava pelo endurecimento do discurso petista. “O Lula que se apresenta como alternativa para a eleição deste ano não é o conciliador de 2002. O discurso de hoje é de reversão das reformas e temerário. O investidor, que olha o longo prazo, quer ver um crescimento sustentável do País.”

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, avalia que o mercado agora vai tentar mapear como a população vai reagir ao resultado de ontem e qual será o seu efeito no capital político de Lula. “A questão é menos a figura do ex-presidente em si e mais colocar na balança o que ele representa. Os investidores comemoram que uma plataforma antirreformista ficou mais distante.”

Ele lembra que, mesmo que a Bolsa tenha reagido positivamente nos instantes em que as decisões contrárias ao petista eram tomadas, o mercado também tem sido beneficiado pelo ambiente externo, em que os emergentes acumulam altas desde o início do ano. / DOUGLAS GAVRAS, EULINA OLIVEIRA, LUCIANA DYNIEWICZ e SIMONE CAVALCANTI

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