Bolsa acumula perda de quase 8% na semana

O mercado de crédito norte-americano continua dando sinais de enfraquecimento, o que prejudica economias do mundo todo. Saiba por quê

estadao.com.br, REUTERS

27 de julho de 2007 | 17h54

A crise do mercado imobiliário dos Estados Unidos causa temor aos investidores. Nesta semana, a Bolsa de Valores de São Paulo acumulou baixa de 7,87% e reverteu toda a alta acumulada no mês.   Até esta sexta, o prejuízo no mercado de ações em junho está em 2,92%. Nesta a baixa, a queda foi de 1,80%. O dólar comercial apresentou na quinta-feira a maior alta desde maio de 2006. Nesta semana, subiu 2,04%. A alta só não foi maior porque a moeda norte-americana recuou 1,71% nesta sexta, a maior em 13 meses. O risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País - saiu de 167 pontos na última sexta para fechar a semana em 211 pontos.   Efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA  PIB dos EUA tem a maior alta desde o início de 2006 Bolsas européias têm nova queda atentas a crédito nos EUA "Turbulência só está começando"  Celso Ming comenta a queda da Bovespa      Hoje, o dia foi de forte oscilações. Os mercados bem que tentaram dar um respiro de alívio com a primeira prévia da expansão do Produto Interno Bruto do EUA no segundo trimestre (3,4% anualizada), maior do que as expectativas (3,2%), mas isso durou pouco. Após muito vaivém, o mercado acionário norte-americano tomou rumo mais firme de queda. O Dow Jones - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,54% nesta sexta. Na semana, acumula baixa de 4,23%.   O mercado de crédito norte-americano continua dando sinais de enfraquecimento. Hoje foi a vez da britânica Cadbury anunciar que adiou o prazo de venda de sua unidade de bebidas nos EUA, por conta das condições voláteis nos mercados de dívida alavancada.   E analistas do Citigroup previram perdas de US$ 4,7 bilhões no valor de títulos lastreados em hipotecas mantidos pela Fannie Mae e Freddie Mac - agências patrocinadas pelo governo, que compram hipotecas residenciais e as transformam em títulos. No encerramento dos negócios, um sinal claro: não se sabe até quando o mercado imobiliário dos Estados Unidos provocará turbulências entre os investidores.   Veja aqui como funciona o mercado de hipotecas nos Estados Unidos e como ele pode afetar outros setores da economia norte-americana e mundial:   Início: empresas concedem financiamento imobiliário a pessoas com problemas de crédito. É o chamado mercado subprime.   Revenda: a carteira de crédito é revendida a outras empresas. O dinheiro é usado para novos empréstimos.   Hedge: bancos vendem papéis lastreados em hipotecas para fundos de pensão e de hedge (que fazem investimento de risco).   Bolha: com os baixos juros no mercado mundial, aumentou a demanda por papéis de maior riscos, como os lastreados em hipotecas. Os bancos ampliaram a oferta de empréstimos lastreados em empresas de hipoteca que, por sua vez, afrouxaram os créditos de aprovação de crédito.   Retração: o mercado imobiliário se retraiu. Aumentaram os calotes, e os bancos ficaram mais conservadores. Com o dinheiro dos bancos secando, as empresas de hipoteca começaram a quebrar.   Próximo capítulo: pessoas podem ter a dívida executada e perder imóveis nos Estados Unidos. O aumento da oferta de imóveis derruba os preços e dificulta o refinanciamento de dívidas. Os bancos apertam o crédito e a economia desacelera.   Desdobramentos: a turbulência nos Estados Unidos afeta o risco dos países emergentes, como o Brasil.   Entenda os motivos do contágio para outros setores da economia e outros países   Três pontos explicam a influência do mercado imobiliário americano:   1- Queda no preço dos imóveis: este fator leva a uma redução da riqueza dos consumidores americanos e menos dinheiro disponível para consumo. Isso pode colaborar com um desempenho mais fraco da economia dos EUA e, por conseqüência, com a economia de todos os países que exportam para os Estados Unidos.   2- Os bancos têm apresentado perdas que forçam a uma redução do crédito Isso também contribui para uma queda do consumo, o que reduz o resultado das empresas norte-americanas. E, como resultado, de suas ações.   3- Os fundos que investiram em imóveis também perdem. Este é mais um motivo para a sensação de perda de riqueza dos americanos que investiram nestes fundos. Como impacto, também neste caso, é a redução do consumo, que prejudica as empresas do país e de outros que exportam para lá.

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