Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Dólar tem quarta queda seguida e fecha a R$ 3,85

No mercado de ações, o principal índice do País caiu 0,7% após três pregões de alta

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 13h31
Atualizado 02 de abril de 2019 | 18h10

O dólar engatou a quarta queda consecutiva e terminou a terça-feira, 2, em baixa de 0,46%, a R$ 3,8567. A moeda americana subiu ante boa parte das divisas de países emergentes, ainda refletindo indicadores mais fortes dos Estados Unidos divulgados na segunda-feira, 2, mas, depois de uma manhã volátil, o real se fortaleceu.

No mercado de ações, depois de acumular valorização superior a 4,5%, em três altas consecutivas, o índice Bovespa cedeu à realização de lucros e fechou em baixa de 0,70%, aos 95.386,76 pontos. O desempenho mais fraco das bolsas de Nova York e alguns ruídos em torno da reforma da Previdência foram os gatilhos para a correção de preços. O volume de negócios somou R$ 11,6 bilhões, abaixo da média das últimas semanas, o que reforça a tese de uma realização de lucros moderada.

Dólar

O movimento do câmbio foi resultado de fatores técnicos, como a desmontagem de posições mais defensivas de investidores estrangeiros, e a entrada de fluxo externo, com captações externas. Na reforma da Previdência, os investidores aguardam a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nesta quarta-feira, 03.

Guedes se reuniu com vários partidos políticos ao longo desta terça-feira e ouviu que muitos parlamentares querem que as mudanças na aposentadoria rural e nos Benefícios de Prestação Continuada (BPC) saiam do texto da Previdência. O governo está disposto a ceder nestes pontos, segundo o secretário de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. No final da tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse ter "certeza" que estes dois pontos "não sobreviverão" na Comissão Especial. Mais cedo, a agência de classificação Fitch Ratings alertou para o risco de a reforma não ser aprovada, o que será ruim não só para as contas fiscais brasileiras, mas pode piorar o crescimento econômico. 

Para sócio-diretor da Assessoria Via Brasil, Durval Corrêa, um dos pontos que o mercado vai monitorar na participação de Guedes amanhã na CCJ é como estarão os parlamentares e o ministro. "Se houver um clima mais hostil, o mercado pode ficar estressado", disse ele. 

Em reuniões com investidores nos Estados Unidos, nas costas Leste e Oeste, os estrategistas do Citi destacam que a reforma da Previdência foi a principal preocupação mostrada nos encontros com todos os clientes, que aconteceram entre os dias 25 e 29. "Durante estas conversas, o processo de aprovação da reforma tomou a maior parte do tempo, com questões relacionadas à tramitação, potencial diluição e o impacto fiscal dominando o debate." O Citi espera que a aprovação do texto ocorra no terceiro trimestre, com economia fiscal de R$ 500 bilhões em 10 anos. 

Os investidores ouvidos pelo Citi manifestaram ainda nas reuniões a visão de que esperam volatilidade no mercado financeiro neste segundo trimestre, à medida que o texto tramite nas comissões e vá para o plenário. Pesquisa informal do banco norte-americano com clientes mostrou que 62% esperam que o texto passe no Senado até o terceiro trimestre.

Bolsa

Embora o pregão tenha sido considerado relativamente tranquilo, causou desconforto a sinalização de que a reforma da Previdência já estaria, precocemente, em processo de desidratação na CCJ da Câmara. 

O mal estar foi reduzido à tarde, quando o relator da matéria na CCJ, Marcelo Freitas (PSL-MG) garantiu que o BPC e a aposentadoria rural seriam mantidos no relatório da comissão. Ao final da tarde, líderes partidários já mostravam concordar que alterações no texto ficariam apenas para a comissão especial, segunda fase da tramitação da PEC. 

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a marcar 94.824,93 pontos (-1,28%). A desaceleração mais forte veio nos minutos finais de negociação, com a virada forte das ações da Petrobras. Os papéis reagiram a especulações em torno da possível conclusão do acordo sobre os excedentes da cessão onerosa. Com isso, Petrobras ON e PN, que oscilavam em terreno negativo, terminaram o pregão com ganhos de 0,42% e 1,04%, respectivamente. 

Já as quedas mais significativas do dia ficaram com as ações de mineração e siderurgia, justamente as que mais haviam subido no pregão de ontem, sintonizadas com os preços do minério de ferro. Hoje a alta da commodity se repetiu, por conta de dificuldades da Rio Tinto, e não teve reflexo sobre os papéis por aqui. Ao final do pregão, Vale ON teve queda de 1,84% e Usiminas PNA perdeu 5,09%.

"Basicamente, os investidores estiveram sem apetite muito grande por risco, em meio à continuidade das especulações sobre a previdência", disse Vitor Miziara, analista da Criteria Investimentos, sobre a cautela do investidor ao longo de todo o dia.

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