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Bolsa alemã compra as de NY, Paris e Amsterdã

Superpotência financeira terá um volume de negócios superior a US$ 20 tri por ano e vai[br]operar em sete países

Reuters, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

A bolsa alemã vai adquirir o controle da NYSE Euronext (dona das bolsas de Nova York, Paris e Amsterdã), criando a maior bolsa de valores do mundo, em um negócio que deixa sem resposta perguntas fundamentais que poderiam ameaçar sua conclusão.

Embora apresentado como fusão, o acordo, que avalia a NYSE em cerca de US$ 10,2 bilhões, é uma compra, em que 60% da nova companhia passarão a pertencer aos acionistas da companhia alemã e 10 das 17 cadeiras da direção ficarão com o grupo de Frankfurt.

Mas, embora a entidade recém-formada ainda não tenha um nome, as duas partes selaram um importante compromisso. O grupo terá uma sede em Nova York e outra em Frankfurt.

E, para deixar os preocupados parlamentares americanos mais satisfeitos, o cargo de presidente executivo da nova empresa ficará com Duncan Niederauer, o principal executivo da NYSE, enquanto Reto Francioni, da Deutsche Boerse, será o presidente do conselho de administração.

A nova superpotência financeira terá um volume de negócios superior a US$ 20 trilhões por ano, e operará na Alemanha, França, Grã-Bretanha, Amsterdã, Portugal, Bélgica e EUA.

Segundo os termos do acordo, cada ação da NYSE Euronext será trocada por 0,47 ação da nova companhia, enquanto as ações da Deutsche Boerse serão trocadas na base de um por um.

Concorrência. As bolsas sofrem uma intensa concorrência em seus negócios tradicionais, em comparação com as bolsas de formação mais recente, com pregão eletrônico pela internet, que se impõem cada vez mais.

A NYSE e outras bolsas reagiram investindo em tecnologia e entrando em negócios de derivativos, mais lucrativos. Juntas, a unidade Eurex da Deusche Boerse e a Liffe, unidade da NYSE Euronext em Londres, dominarão mais de 90% das negociações de mercados futuros nas bolsas europeias, o que levanta questões quanto à legislação antitruste entre as autoridades reguladoras.

Consolidações. Depois de um hiato de alguns anos que incluiu a crise financeira e o início de uma reorganização reguladora global, as operadoras das bolsas mundiais voltaram a comprar concorrentes.

No fim do ano passado, a Singapore Exchange anunciou sua intenção de comprar a ASX da Austrália.

E, na semana passada, a Bolsa de Londres informou que comprará a operadora da Bolsa de Toronto, o TMX Group, horas antes de a Deutsche Boerse e a NYSE revelarem que suas conversações estavam adiantadas.

Preocupações locais com a onda de consolidações nesse setor surgiram ontem na Ásia, onde a Singapore Exchange modificou ligeiramente sua oferta de US$ 7,9 bilhões pela ASX, para permitir que um número maior de diretores australianos participasse do conselho de direção conjunto, para ganhar o apoio de políticos australianos que viam o negócio com ceticismo.

Há muito o nacionalismo vem sendo visto como um dos maiores obstáculos para as fusões das bolsas de valores. Essas costumam ser consideradas símbolos de orgulho nacional e de particular importância para atrair negócios e capital.

Concorrência. As autoridades reguladoras estão dando mais atenção aos negócios, enquanto os usuários das bolsas mostraram certo temor de que as aquisições limitem a concorrência.

"A Euronext e a Deutsche Boerse nos apertam nas taxas de compensação, nos leilões de encerramento e nas transações com ações de pequenas e médias empresas - as áreas em que elas ainda detêm praticamente o monopólio", disse o diretor de um grande banco europeu, que não quis ser identificado.

"Uma fusão preocupa porque juntas elas serão mais poderosas e estarão mais bem colocadas para defender esses monopólios." O acordo da LSE com o TMX do Canadá já provocou preocupações por causa dos investimentos estrangeiros no Canadá.

Mas, apesar dos boatos a respeito de investidores do Oriente Médio em Ontário, a acionista da LSE, Borse Dubai, que pertence ao governante do emirado do Golfo Pérsico, não foi solicitada a reduzir sua participação de 20%, informou uma fonte.

A decisão da Bolsa de Cingapura de ceder algum espaço e conceder um número igual de cadeiras no conselho de administração a australianos e cingapurianos na nova entidade mostra que as sensibilidades locais estão sendo superadas enquanto aumenta a pressão para a consolidação. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

Supernúmeros

US$ 20 tri

É quanto deve movimentar em negócios por ano a nova empresa

US$ 10,2 bi

é por quanto a Bolsa de Nova York entrou no negócio

10 das 17 cadeiras da nova empresa são da bolsa alemã

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