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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Bolsa: analistas prevêem recuperação

Analistas concordam que as ações estão muito depreciadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "Só esse motivo não é suficiente para uma recuperação da Bolsa. Mas, como grande parte dessa queda deve-se às incertezas no cenário político, uma definição de qual será o próximo governo e a política econômica a ser adotada deve provocar uma recuperação das ações", afirma o gestor de fundos de investimento do West LB Banco Europeu, Aristides Jannini.Segundo ele, isso pode acontecer tanto com a vitória de um candidato mais ligado à atual política econômica quanto com um candidato de oposição. "No primeiro cenário, a continuidade do atual modelo econômico é favorável a um cenário mais tranqüilo nos mercados. Com isso, a tendência de queda das taxas de juros pode ser retomada, o que torna o investimento em renda variável mais atrativo. No segundo cenário, as ações seriam usadas como uma forma de aplicação em ativos reais, o que favorece à recuperação dos preços", destaca Jannini.O diretor da BNL Asset Management, Claudio Lellis, é menos otimista em relação às perspectivas para a Bolsa. Ele acredita que, mesmo com uma definição do cenário político, o investidor vai levar um tempo para voltar a investir em ações no Brasil. "O investidor estrangeiro já perdeu muito dinheiro em ativos na Argentina. Por isso, cria-se uma aversão a papéis de países emergentes, entre eles o Brasil", informa.De qualquer forma, ele concorda que as ações estão muito baratas e que o investidor que montar uma carteira de papéis nesse momento tem grandes chances de apurar rendimento superior ao das aplicações em renda fixa. "Mas será preciso muita calma para acompanhar as fortes oscilações que devem marcar os próximos meses", comenta Lellis.O analista chefe da Itaú Corretora, Reginaldo Alexandre, destaca outro fator necessário para a recuperação da Bolsa: uma atividade econômica mais forte. Ele avalia que esse cenário não precisa se confirmar completamente para que as ações comecem a se valorizar. "Os mercados antecipam a tendência, mas é preciso alguns sinais para que isso aconteça. Exemplo disso é a redução dos juros, que favorece o consumo e reduz o custo das empresas", explica. A flexibilização das metas de inflação para 2003 e 2004, anunciada ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), favorecem essa perspectiva. Isso porque a política monetária é definida pelo cumprimento da meta de inflação. Ou seja, se em 2003 a meta passou de 3,25% ao ano para 4% ao ano, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos porcentuais, o governo tem uma liberdade maior para promover novas reduções de juros.Alexandre, da Itaú Corretora, acredita que a única certeza para a Bolsa nos próximos meses é um alto nível de oscilação no preço das ações. Segundo ele, o cenário é, de fato, favorável para a Bolsa, mas a volatilidade será forte e o investidor que optar por comprar ações agora deve estar preparado para momentos de turbulências.Vale lembrar que a recomendação essencial para quem investe em ações é que apenas a parcela de recursos que não têm uma data definida para resgate deve ser direcionada para a Bolsa. Dessa forma, o investidor poderá esperar pelo tempo necessário para que possa conseguir o rendimento esperado.Veja nos links abaixo mais informações sobre o comportamento da Bolsa em junho e as ações recomendadas por analistas para quem pretende investir.

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