Bolsa: boas perspectivas, mas com oscilações

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem recuperando parte da queda acumulada ao longo deste ano. Até sexta-feira, o resultado era de uma baixa de 12,85%. O mês de novembro contribuiu muito para a recuperação da Bolsa, registrando uma alta acumulada de 13,79%. Neste mês, até sexta-feira, a Bovespa apresenta alta de 2,84%. Os analistas dividem-se em relação às perspectivas para a Bolsa. Os otimistas acreditam que existe um conjunto de fatores que aponta para uma possível temporada de alta para as ações - a crise de energia não confirmou as expectativas mais pessimistas e entra em fase de flexibilização do racionamento; a economia norte-americana já dá alguns sinais de reaquecimento; a reação da balança comercial com geração de superávits reforça os fundamentos da economia do País; e a crise econômica argentina caminha, bem ou mal, para um desfecho. O analista do HSBC Brain, Fernando Aoad, está entre os que acreditam na continuidade de alta das ações. "A tendência de alta deverá se consolidar no primeiro semestre do ano que vem", prevê. Mas o otimismo de uns divide espaço no mercado com o comedimento de outros. "O mercado não está otimista, a recuperação mostrou apenas que o pessimismo foi exagerado", afirma o gerente de fundos de Renda Variável do Banco do Brasil, Jorge Ricca. Eleições podem provocar instabilidade As eleições presidenciais em 2002 também podem comprometer o cenário favorável para a Bovespa. Isso porque este fator pode gerar incertezas em relação ao cenário econômico para o País. Os investidores tendem a reduzir suas aplicações em Bolsa, enquanto não há uma certeza sobre qual será o candidato vencedor, bem como seu plano de governo. Aoad comenta que a divulgação de pesquisas eleitorais tende a provocar oscilações no mercado acionário. O gestor de renda variável do Banco Safra, Weber Shinohara, lembra que a Bolsa tende a antecipar programas do novo governo e, se o candidato mais bem situado nas pesquisas não significar risco de ruptura da política econômica, a Bolsa tenderá a responder positivamente às pesquisas eleitorais. Investidores estrangeiros O analista da Sul América Investimentos, Armando Bruck, aponta ainda o baixo preço das ações em dólar como outra fonte de estímulo à valorização da Bolsa, porque pode atrair a atenção dos investidores estrangeiros. Um sinal da retomada gradual de compra pelo capital externo foi o saldo positivo de R$ 32,031 milhões apurado pela bolsa no balanço de investimento estrangeiro em novembro, no pico da crise argentina. A participação do investidor estrangeiro em pregão é apontada pelos especialistas como condição necessária à valorização das ações com expansão de volume financeiro. Um movimento que, se confirmado, deverá atrair ao mercado também o investidor doméstico, que passa a prestar atenção à Bolsa apenas em momentos de alta. Cuidados com o investimento A perspectiva é favorável ao mercado, mas o investimento em ações exige alguns cuidados. Antes de tudo, a Bolsa deve ser vista como opção para diversificação de aplicação. O investidor não deve usar para a compra de ações o dinheiro de que precisa para atender compromissos com data certa de resgate. Ou seja, apenas o dinheiro que não tem uma data definida para resgate deve ser direcionada para a Bolsa. Para quem não tem condições para acompanhar de perto quais são as melhores ações e suas perspectivas, a melhor opção é o investimento em fundos de ações. Neste caso, é o gestor do fundo quem vai compor a carteira. Por este trabalho, o investidor pagará uma taxa de administração, que incide mensalmente sobre o total de recursos da aplicação.

Agencia Estado,

10 Dezembro 2001 | 08h11

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