Bolsa bombando em 2018?

Ambiente externo favorável e recuperação da economia em curso inspiram a confiança dos analistas

Fábio Alves *, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 05h00

Muitos analistas estrangeiros não estão se deixando amedrontar pelas incertezas com as eleições presidenciais e recomendam aos investidores comprarem ações negociadas na Bolsa brasileira em 2018. Para esses analistas, o Ibovespa deverá bater novos recordes de alta no ano que vem, amparado principalmente pela perspectiva de crescimento forte dos lucros das empresas.

Em 2017, até o fechamento da segunda-feira, o Ibovespa já acumula uma valorização de quase 21%. Foi durante o pregão do dia 5 de outubro que o índice atingiu seu patamar máximo histórico, de 78.024 pontos.

A recuperação da economia brasileira, o dólar bem comportado frente ao real, a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central e a melhora nos preços de várias commodities exportadas pelo País, como o minério de ferro, atraíram os investidores estrangeiros, cujo saldo de recursos aplicados na Bolsa (compras superando vendas) era positivo em R$ 9,2 bilhões em 2017 até o último dia 7.

Também ajudou a entrada de mais recursos estrangeiros na Bolsa neste ano o avanço de algumas reformas, como a trabalhista e o teto de gastos, e a perspectiva de aprovação de outras, como a da Previdência.

O risco de vitória de um candidato a presidente em 2018 visto como não favorável aos mercados, por não apoiar a continuidade de reformas estruturais necessárias para conter os gastos do governo e limitar o crescimento da dívida pública, está no radar dos analistas de ações, mas mesmo um eventual desfecho negativo das eleições não deverá estragar o que está sendo esperado como um bom ano para os lucros das empresas brasileiras.

Em nota a clientes, os analistas David Beker e Nicole Inui, do Bank of America Merrill Lynch (BofA Merrill Lynch), atribuíram a recomendação overweight (acima da média) para o Ibovespa na carteira de ações para América Latina.

Eles trabalham com um cenário-base para 2018 com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 3%, a inflação subindo apenas 3,9%, a taxa Selic a 6,50% e o dólar a R$ 3,30 no fim do ano. Nesse cenário, estabeleceram um alvo de 85.000 pontos para o Ibovespa ao fim de 2018, com o lucro das empresas crescendo 20%. Em 2017, os analistas estimam que o lucro das empresas brasileiras deve crescer 34%.

Mesmo no cenário pessimista, com um desfecho negativo das eleições presidenciais, levando o dólar a R$ 4,00 e a Selic subindo para 8,50%, os analistas do BofA ainda estimam um crescimento de 15% no lucro das empresas em 2018, mas o Ibovespa cairia para 58.200 pontos.

Também em nota a clientes, Alan Alanis e Sambuddha Ray, estrategistas do banco suíço UBS, recomendaram um peso overweight para a Bolsa brasileira na carteira para América Latina. Eles esperam um crescimento de 20% no lucro por ação das empresas brasileiras, ou quatro vezes maior do que o esperado para as empresas do México. O cenário-base do UBS estabelece um alvo de 84.000 pontos para o Ibovespa ao fim de 2018, amparado por uma projeção de crescimento de 3,1% do PIB.

Alanis e Ray alertam para a volatilidade que o ano eleitoral poderá trazer. Destacam ainda outros riscos ao cenário-base para o Ibovespa: uma desvalorização significativa do real, uma decepção com o lucro das empresas brasileiras e uma desaceleração mais forte da economia chinesa.

Aliás, todos os analistas ressaltam que o cenário externo terá um papel importante para o desempenho da Bolsa, especialmente se o aperto da política monetária pelo Federal Reserve (Fed) for mais forte do que o esperado atualmente.

Independentemente da volatilidade do ano eleitoral, o ambiente externo ainda favorável (com elevação gradual dos juros pelos principais países desenvolvidos e bom desempenho nos preços do petróleo, do minério de ferro e de outras commodities) e a recuperação em curso da economia brasileira inspiram confiança nos analistas de que 2018 será um bom ano para a Bolsa.

A consultoria IHS Markit projeta para 2018 um crescimento de 33% nos dividendos pagos pelas empresas com ações negociadas no Ibovespa, somando um total de R$ 77 bilhões. Dividendos têm relação direta com lucros e a posição de caixa das empresas. Resta saber se as eleições presidenciais ainda vão dar mais gás à festa da Bolsa ou se tudo pode acabar numa grande ressaca.

* COLUNISTA DO BROADCAST

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