Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017
Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017

Bolsa brasileira fecha em baixa influenciada pelo exterior e desempenho dos bancos nacionais

Ibovespa encerrou o pregão com baixa de 0,59% aos 86.383,84 pontos; dólar é cotado a R$ 3,2615, alta de 0,11%

Paula Dias e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 18h24

Diante da queda na maior parte do mercado acionário mundial, a Bolsa brasileira não teve força para seguir a trajetória de alta vista no início do pregão desta terça-feira, 13. Ainda assim, o índice à vista conseguiu se manter nos 86.383,84 pontos, baixa de 0,59%.

Já o dólar operou entre margens estreitas, alternando pequenas altas e baixas ao longo de toda a sessão de negócios, tendo o cenário internacional como principal referência. No mercado à vista, a moeda fechou cotada a R$ 3,2615, em alta de 0,11%. Profissionais de câmbio afirmam que o mercado vem trabalhando em compasso de espera e, enquanto aguarda a reunião do Federal Reserve, na próxima semana, responde a variáveis menores, que possam sinalizar qual será o tom da política monetária dos Estados Unidos. 

O setor financeiro influenciou fortemente na baixa da Ibovespa com a desvalorização acima de 1%, uma vez que Itaú Unibanco e Bradesco têm o primeiro e o terceiro maiores pesos na carteira teórica. Além de espelhar o movimento negativo dos pares em Wall Street, como Goldman Sachs e JP Morgan durante o dia, bancos como Bradesco e Banco do Brasil tiveram suas notas de crédito rebaixadas pela agência de classificação de risco Fitch Ratings. Na segunda-feira, 12, à noite, o Itaú Unibanco havia recebido um downgrade. As modificações nas notas dos bancos se seguem ao rebaixamento do rating soberano de BB para BB-, em 23 de fevereiro.

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Itaú Unibanco PN fechou em queda de 0,81%, Bradesco PN recuou 1,44%, Banco do Brasil ON perdeu 1,29% e as units do Santander desvalorizaram 1,40%.

Para Shin Lai, analista da Upside Investor Research, a revisão do rating perpassou por todos os bancos brasileiros e, juntamente com as seguradoras, pesou sobre o índice Bovespa. "O setor financeiro estava pesado desde a manhã", complementou Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, citando também o recuo das ações ligadas ao setor de energia.

Os contratos futuros de petróleo no mercado internacional operaram novamente durante todo o dia em queda em meio a novos sinais de aumento da produção de xisto. Com isso, as ações da Petrobras perderam valor fechando em -0,96% (ON) e -0,99% (PN). 

As principais bolsas da Europa fecharam em queda, com destaque para os mercados acionários em Londres e Frankfurt, que recuaram mais de 1%. Do outro lado do Atlântico, os principais índices em Wall Street também recuaram. Na avaliação de Monteiro, os mercados acionários no exterior reagiram à nova troca na administração do presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Uma semana após o então assessor econômico Gary Cohn ter deixado o governo, hoje foi a vez do secretário de Estado, Rex Tillerson. 

"A Casa Branca assume ainda mais o perfil da campanha de Trump: protecionismo, menos impostos e favores à indústria", ressalta, em relatório, o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves.

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Por aqui, Monteiro diz que influenciou o humor do mercado na segunda parte do pregão o enfrentamento do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso. Marun negou que haja uma guerra entre o Executivo e o Judiciário, mas acusou Barroso de desrespeitar os três poderes ao alterar, em medida cautelar, o decreto de indulto natalino assinado no ano passado pelo presidente Michel Temer.

"Essa situação [entre Executivo e Judiciário] não é boa para ninguém e acaba trazendo preocupações para o mercado", notou Monteiro.

As questões políticas no desenrolar do dia sobrepuseram às notícias favoráveis dos dados econômicos tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil. Por lá, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de fevereiro em desaceleração ante janeiro na série com ajustes sazonais e no núcleo do indicador de inflação. Por aqui, as vendas no varejo em janeiro cresceram 0,9% contra dezembro e 3,2% contra janeiro de 2017. No conceito ampliado, houve queda no mês (0,1%) e alta de 6,5% no ano. "O ritmo de recuperação do varejo reforça a expectativa de crescimento do PIB em torno de 2,9% este ano, perfeitamente compatível com a redução do Selic até os 6,0%", escreveu Lima Gonçalves.

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Dólar. A principal notícia do dia foi o resultado da inflação no varejo americano (o CPI), divulgado pela manhã, que em linhas gerais foi bem recebido pelo mercado local, reforçando a expectativa de gradualismo na política monetária do Fed. "O mercado tem sido pequeno, em função da expectativa por números dos Estados Unidos que possam antecipar qual será a linha do Fed. Passada a divulgação da inflação no varejo, hoje pela manhã, as expectativas já se voltaram à inflação no atacado, amanhã", disse Hideaki Iha, operador da Fair Corretora. 

Os números do Departamento do Trabalho norte-americano apontaram alta de 0,2% do CPI em fevereiro, na margem, mostrando desaceleração em relação à alta mensal de janeiro (+0,5%). Na comparação anual, o CPI subiu 2,2%, abaixo da previsão de alta de 2,3%. O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis, como alimentos e energia, desacelerou para 0,2%, de 0,3% em janeiro. Na comparação anual, houve alta de 1,8%, abaixo da previsão de 1,9%.

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Ainda no cenário norte-americano, a demissão de Rex Tillerson abriu espaço para desconforto e alguma volatilidade nos ativos. 

Na última hora de negócios, as bolsas de Nova York aprofundaram as quedas e o dólar se fortaleceu ante moedas de países emergentes, com temores de que a saída de Tillerson aumente as chances de um guerra comercial entre EUA e China. Na segunda-feira, o presidente Donald Trump impediu a aquisição da fabricante de chips americana Qualcomm pela gigante chinesa Broadcom. A notícia, somada à saída de Tillerson, aumenta os temores sobre medidas protecionistas nos EUA.

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