DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Bolsa brasileira tem espaço para valorização, diz presidente da BlackRock no Brasil

Carlos Massaru Takahashi afirma que percebe o investidor estrangeiro ainda confiante em Brasil e à espera de medidas de estímulo à economia

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 11h48

A Bolsa brasileira tem espaço para mais valorização, apesar da alta de 35% em um ano, pois também deve experimentar a entrada de investidores ainda pouco expostos a ações brasileiras. O diagnóstico é do presidente da BlackRock no Brasil, Carlos Massaru Takahashi, que percebe o investidor estrangeiro ainda confiante em Brasil e à espera de medidas de estímulo à economia. Em relatório divulgado pelo Estadão/Broadcast com exclusividade no último dia 10 de julho, a BlackRock aponta uma visão positiva sobre o Brasil, quando considerados os mercados emergentes, e algum ceticismo quanto à retomada do crescimento forte da China, hoje envolto na incerteza trazida com a guerra comercial. Abaixo os principais trechos da entrevista. 

Em relatório recente, a BlackRock avalia como excessivo o otimismo com o ritmo de crescimento da China e, ao mirar mercados emergentes, vê grandes oportunidades em Brasil e México. Quais são os destaques no Brasil?

Para começar, quero comentar a questão da China. O desempenho do país está muito relacionado com a guerra comercial. Ainda que medidas macroeconômicas tenham buscado estimular um ritmo mais forte para a economia chinesa, adotamos uma cautela importante por causa das consequências desse ambiente muito protecionista que estamos vivendo. Então, falando sobre Brasil, a BlackRock tem há algum tempo uma avaliação positiva. A reforma da Previdência, que é uma questão muito importante, já passou pela parte mais difícil. Olhando alguns ativos, a gente acaba vendo o mercado com perspectivas boas. A economia tem uma perspectiva de crescimento bastante acanhado, é verdade. Mas as questões macroeconômicas estão bem fundamentadas, tanto a taxa de juros quanto a inflação, inclusive no longo prazo. E olhando o mercado de renda variável, entendemos que o P/L [razão entre o preço por ação e o lucro por ação de uma empresa] continua baixo em alguns papéis. Então, vemos espaço para valorização, apesar de a Bolsa já ter subido muito nos últimos meses. Somamos a isso o fato de muitos investidores ainda não estarem expostos a ações.

Os estrangeiros ainda não voltaram. O saldo continua negativo no ano em quase R$ 5,6 bilhões

Eles já entraram um pouco, mas ainda tem espaço importante. Com o ambiente de reforma da Previdência aprovada e outras medidas, o fluxo que se espera vindo do exterior é bastante relevante. Também há alguns segmentos nacionais, como investidores institucionais, que ainda estão com exposição à Bolsa relativamente acanhada.

Para o estrangeiro voltar a registrar fluxo positivo para o mercado de ações brasileiro, é preciso que o governo execute a agenda econômica?

O estrangeiro continua confiante no Brasil, ainda que o País precise de algumas medidas para atrair com mais força o recurso externo. É preciso levar em conta que a economia global terá um crescimento menor por um período prolongado, o que derruba a perspectiva de retorno nos mercados internacionais. Com isso, a relação risco-retorno do Brasil acaba ficando mais favorável. Então, bons sinais sobre a Previdência e sobre medidas que permitam o crescimento consistente à frente, como por exemplo reforma tributária, privatizações, agenda de infraestrutura, vão ajudar a favorecer o crescimento doméstico e trazer o estrangeiro.

Na Bolsa, quais papéis e setores estão mais atraentes atualmente?

O setor financeiro tem espaço para valorização, porque já teve uma relação P/L melhor no passado. O setor elétrico também tem oportunidade. São apenas alguns exemplos, porque acredito que os setores diretamente correlacionados com o ciclo econômico vão ser seguramente beneficiados quando o crescimento econômico vier.

O fundo de ações da BlackRock na América Latina tem hoje em torno de US$ 2 bilhões sob gestão, mas já foi bem maior. Nesse ambiente positivo e de volta do estrangeiro para Brasil, o patrimônio desse fundo, que tem uma parcela em papéis brasileiros, deve crescer?

Tem várias formas de o investidor entrar no mercado brasileiro. Tem uma infinidade de ETFs de mercados emergentes com exposição a Brasil. E os ETFs são veículos interessantes para entrar por causa da liquidez, da eficiência do preço. O que a gente imagina é que vamos, sim, experimentar um ciclo positivo para Brasil e que a entrada do estrangeiro pode não se dar necessariamente por esse fundo [de ações] e que os ETFs poderão ser um dos canais de entrada dos estrangeiros. 

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