Bolsa cai abaixo dos 100 mil pontos; dólar fecha em queda de 0,38% depois de 12 altas consecutivas

Moeda americana começou em alta e perdeu força depois de intervenção no Banco Central; Bolsa brasileira tem forte queda em meio ao temor global com coronavírus e encerra aos 97.996,77 pontos

Luís Eduardo Leal e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 10h23
Atualizado 06 de março de 2020 | 19h06

O Ibovespa sucumbiu a forte correção pela segunda sessão seguida e fechou nesta sexta-feira, 6, em queda de 4,14%, aos 97.996,77 pontos, no menor nível desde 27 de agosto de 2019 (quando estava em 97.276,19). Foi também a primeira vez desde 8 de outubro que o Ibovespa fechou abaixo de 100 mil pontos (na ocasião, encerrou aos 99.981,40 pontos). 

 

As perdas nesta primeira semana de março ficaram em 5,93%, após queda de 8,37% ao longo da semana anterior, que havia sido a pior desde agosto de 2011. Agora, no ano, o principal índice da B3 cede 15,26%.

 

Pelo segundo dia, o Ibovespa registrou perdas mais amplas do que Nova York, onde os três índices apontavam no fechamento de hoje ajustes negativos de até 1,87%, o que contribuiu para o Ibovespa se afastar das mínimas da sessão, que se renovavam após as 17h.

 

Apenas nove ações do Ibovespa conseguiram sustentar alta nesta sexta-feira, parte das quais entre as mais pressionadas nas últimas sessões: CVC (+14,40%), IRB (+2,50%), Gol (+1,94%) e Azul (+1,12%). No dia anterior, nenhuma ação do Ibovespa havia subido, com a pressão de vendas generalizadas que se impôs no fim da sessão após a confirmação dos primeiros casos de transmissão local do coronavírus no Brasil. O giro financeiro, elevado, totalizou R$ 39,9 bilhões na sessão.

Dólar 

O dólar interrompeu nesta sexta uma sequência de 12 altas consecutivas e fechou em baixa de 0,38% no mercado à vista, a R$ 4,6338. No acumulado da semana, porém, a moeda dos Estados Unidos subiu 3,5%, registrando a pior semana desde o início de novembro do ano passado, em meio a renovadas preocupações com os efeitos do coronavírus na atividade, que provocou forte movimento de aversão a risco no mercado financeiro mundial e fez o dólar subir forte nos mercados emergentes. 

 

O BC começou o dia injetando mais US$ 2 bilhões no mercado cambial hoje, por meio de leilão extraordinário de swap (venda de dólares no mercado futuro), o que impediu uma disparada maior da moeda, segundo operadores. Desde a volta do feriado de carnaval, o total das intervenções do BC já somou US$ 7,5 bilhões - US$ 5 bilhões somente nesta semana. 

 

No início da noite, o Banco Central anunciou outro leilão de dólar à vista para segunda-feira, de até US$ 1 bilhão, o primeiro do tipo na atual disparada da moeda americana. 

 

No exterior, o dólar repetiu nesta sexta o que ocorreu nos últimos dias, se fortalecendo bastante ante moedas emergentes e perdendo valor nos países desenvolvidos, o que evidencia um típico movimento de fuga do risco. A divisa subiu 1,47% na Rússia, 1,63% no México e 1,39% na Colômbia, movimento também ajudado pelo petróleo, que despencou 10% no mercado futuro em Londres e Nova York. O rendimento (yield) do título de 10 anos do Tesouro americano caiu para inéditos 0,7%. 

 

Já ante moedas como euro e iene, o dólar atingiu mínimas em um ano, de acordo com o comportamento do índice DXY.

 

Neste ambiente de incerteza, investidores estrangeiros fizeram forte movimento no mercado futuro ontem, dia que o dólar bateu em R$ 4,67, e elevaram posições "compradas" (que ganham com a alta da moeda americana) em US$ 3 bilhões somente na quinta-feira, de acordo com dados da B3 compilados pela corretora Renascença.

 

Nesta sexta, o volume de negócios no mercado futuro seguiu forte, somando US$ 26 bilhões, o que indica que a mudança das posições prosseguiu hoje. O dólar futuro para abril fechou em alta de 0,39%, a R$ 4,6340.

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Em 43 pregões, saída de estrangeiros da Bolsa em 2020 já supera o ano de 2019

Estrangeiros tiraram R$ 44,798 bilhões em 2020; não há registro de entradas desde 10 de fevereiro

Fabiana Holtz e Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 17h07

Em apenas 43 pregões neste ano a saída de investidores estrangeiros da B3 alcançou R$ 44,798 bilhões, superando o saldo negativo recorde do 2019, de R$ 44,517 bilhões. A marca foi batida na última quarta-feira, dia 4. Não há registro de entradas desde 10 de fevereiro.

O movimento de retirada, que vinha se fortalecendo em janeiro, ganhou força ao longo de fevereiro diante da crescente preocupação sobre o impacto da expansão do surto de coronavírus na economia global.

Em 26 de fevereiro, o Instituto Adolfo Lutz confirmou o primeiro teste positivo para o novo coronavírus no Brasil. Na ocasião foi registrada a saída diária histórica de R$ 3,068 bilhões.

No âmbito internacional, nos dias 24 e 25 - enquanto o mercado brasileiro não registrava negócios em razão do feriado de Carnaval - notícias alarmantes sobre a expansão do coronavírus principalmente vindas da Itália testaram os limites de aversão a risco do mercado de ações em todo o mundo. Desde então, as retiradas na bolsa brasileira já somam R$ 11,9 bilhões.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil já tem 13 casos confirmados de coronavírus. Dez destes casos estão no Estado de São Paulo. Ao todo, são 768 casos suspeitos da doença no País.

O montante inclui ainda saques expressivos de R$ 2,706 bilhões (no dia 27), R$ 2,513 bilhões (dia 28), R$ 2,176 bilhões (dia 02), R$ 1,297 bilhão (dia 03) e R$ 1,195 bilhão (dia 04).

No quadro doméstico, vale ressaltar ainda a decepção generalizada com crescimento baixo do Brasil no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. Em 2019, a expansão do PIB foi de 1,1% ante o 1,3% de 2018 e 2017.

Mercado maior

Os volumes de saída maiores que a média histórica acontecem em um mercado com giro financeiro também maior. Em 2008, ano do estouro da crise financeira mundial, o dia de maior retirada foi 2 de dezembro, quando saíram R$ 2,672 bilhões. Naquele ano, a retirada foi de R$ 24,629 bilhões.

Naquele dia, o Ibovespa fechou em alta de 0,75%, aos 35.000,34 pontos, com giro financeiro de R$ 6,614 bilhões, impulsionado pelas Ofertas Públicas de Aquisição (OPAs) da Anglo Ferrous Brazil e da Petroquímica União, que, juntas, movimentaram R$ 3,444 bilhões. Atualizado pelo IPCA, o giro daquele dia foi de R$ 12,273 bilhões.

Em 2020, o dia de maior saída foi 26 de fevereiro, o "Corona day", quando os estrangeiros retiraram R$ 3,068 bilhões do mercado acionário brasileiro. Naquela quarta-feira, o Ibovespa caiu 7%, e fechou o dia nos 105.718,29 pontos. O giro financeiro foi de R$ 33,1 bilhões, também elevado em relação à média, mas desta vez por conta do ajuste após o feriado de Carnaval, que manteve a Bolsa de São Paulo fechada em um momento de tensão nos mercados internacionais.

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