Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017
Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017

Bolsa cai 4,49% e Petrobrás perde R$ 115 bilhões em uma semana

Diante de uma percepção de interferência do governo, ações da petroleira encerraram o dia com queda de mais de 14%, no menor patamar desde janeiro

Ana Luísa Westphalen, Luciana Antonello Xavier e Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 12h00
Atualizado 28 Maio 2018 | 23h08

Sem sinais concretos de quando poderá ser definitivamente encerrada, a paralisação dos caminhoneiros permanece provocando cautela na Bolsa. O principal índice de ações brasileiro fechou em forte queda de 4,49%, aos 75.355,83 pontos, enquanto o dólar à vista terminou negociado a R$ 3,7331, alta de 1,90%.

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As ações da Petrobrás encerraram o dia com quedas de 14,60%, para as preferencias, e 14,07%, para as ordinárias, perdendo mais R$ 40 bilhões em valor de mercado apenas nesta segunda-feira, 28. A cotação de fechamento da preferencial, R$ 16,91, é a menor desde o dia 10 de janeiro, quando chegou a R$ 16,77. A ordinária, cotada a R$ 19,79, registrou o pior patamar desde 23 de janeiro.

Na segunda-feira da semana passada, a estatal de petróleo valia R$ 357,2 bilhões. Esse valor ficou em R$ 242 bilhões após este pregão, uma perda de R$ 115 bilhões em uma semana. As ações caíram em todos os dias deste período, com maior intensidade na última quinta, 24, após o governo anunciar desconto no preço do diesel por 15 dias, e nesta segunda-feira, depois da decisão de elevar o desconto no diesel para R$ 0,46, e também o período, por 60 dias.

Conforme apurou mais cedo o Broadcast com profissionais do mercado, não está claro como o governo pagará a petroleira e temem dificuldades financeiras por parte do Planalto. A visão dos investidores é de que a Petrobrás ficou desprotegida.

Neste contexto, a Petrobrás, que havia retomado em maio deste ano o posto de maior empresa em valor de mercado listada na B3, perdeu três posições. A Ambev voltou a ser a mais valiosa ainda na semana passada, com R$ 310,4 bilhões. A Vale tem valor de R$ 265,4 bilhões, enquanto o Itaú Unibanco vale R$ 261,8 bilhões. Desde a última segunda-feira, estas três empresas perderam aproximadamente R$ 10 bilhões em valor de mercado cada uma.

Depois de intensa negociação ao longo do fim de semana, o presidente Michel Temer cedeu e reduziu em R$ 0,46 o valor do diesel, com corte em tributos como a Cide e o PIS/Cofins. A redução por 60 dias, com posterior adoção de reajustes mensais, custará um total R$ 13,5 bilhões aos cofres públicos até dezembro, sendo R$ 9,5 bilhões do programa temporário de subvenção do preço e impacto de R$ 4 bilhões via corte dos tributos.

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O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, não considera que a perda de R$ 4 bilhões seja um custo adicional porque o montante será compensado pela reoneração da folha de pagamentos, mas, de qualquer forma, o governo perde a economia adicional que teria com aprovação desse projeto.

A Petrobrás esclareceu, em fato relevante, que não subsidiará o preço do diesel e não incorrerá em prejuízo, uma vez que será ressarcida pela União, após a redução de R$ 0,46 por litro. A companhia já havia reduzido em R$ 0,2335 por litro o valor médio do óleo diesel rodoviário comercializado em suas refinarias em 24 de maio, por um prazo de 15 dias. Após esta data, será aplicado o novo programa anunciado pelo governo.

Adicionalmente, foram publicadas nesta madrugada, em edição extra do Diário Oficial da União, três Medidas Provisórias para atender a novos pedidos dos manifestantes. O pacote prevê que 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sejam feitos por caminhoneiros autônomos, institui a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargo e prevê isenção de cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios.

No exterior, o dia foi de fraqueza nos negócios com o feriado nos Estados Unidos e Reino Unido. Com liquidez reduzida, a tendência de baixa no mercado de ações brasileiro foi acentuada.

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