Bolsa cai 41,22% em 2008, o pior resultado em 36 anos

Resultado interrompe a seqüência de cinco anos consecutivos de alta na Bolsa de Valores de São Paulo

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

Depois de liderar o ranking brasileiro de investimentos por cinco anos seguidos, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) despencou para a rabeira em 2008. Depois de uma pequena alta de 1,32% ontem, o principal termômetro do mercado acionário nacional acumulou desvalorização de 41,22% no ano. Trata-se da maior queda anual do índice desde 1972, quando o Ibovespa caiu 44,42%, segundo levantamento da Economática.Em um movimento oposto ao da bolsa, o dólar fechou em alta de 31,55% no ano. O desempenho dos principais ativos financeiros foi, como se sabe, duramente afetado pela crise global - sobretudo depois de seu agravamento, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em 15 de setembro. Um ano atrás, praticamente nenhum analista esperava uma reviravolta dessa magnitude. "Houve uma crise de confiança como nunca tínhamos visto", disse o estrategista da Itaú Securities Tomás Awad. "Isso levou a uma liquidação de ativos em escala mundial."O economista-chefe da Bradesco Corretora, Dalton Gardimam, reforça essa avaliação. "A bolsa brasileira teve uma performance semelhante à do mercado acionário da maioria dos países", disse. O Índice Dow Jones, o mais tradicional da Bolsa de Nova York, encerrou 2008 com perdas de 34,65%. O CAC, de Paris, de 41,83%. E o FTSE, de Londres, 31,97%. Uma breve retrospectiva do ano mostra que, em maio, o Ibovespa atingiu o pico (73.516 pontos), logo após a concessão ao Brasil do grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor?s (S&P). Naquele momento, muitos especialistas chegaram a prever que o Ibovespa terminaria 2008 na faixa de 85.000 pontos. O que se viu, no entanto, foi um processo de realização de lucros. A partir de 2003, muitos investidores aplicaram em ações brasileiras na expectativa justamente da obtenção do selo de qualidade. As agências de risco avaliam a capacidade de governos e empresas de honrar pagamentos. O grau de investimento é um degrau a partir do qual o risco de um calote é considerado baixíssimo. Assim que a nota foi concedida ao Brasil, investidores começaram a liquidar posições na bolsa - movimento que emendou com a piora da crise e o Ibovespa chegou a recuar para menos de 30.000 pontos (no dia 27 de outubro, fechou em 29.435 pontos). A debandada foi liderada pelos estrangeiros. Até maio, o saldo de recursos desses investidores era positivo em quase R$ 1 bilhão. A partir dali, o sinal se inverteu. No dia 22 de dezembro, o saldo no acumulado do ano era negativo em quase R$ 25 bilhões. Para 2009, a expectativa dos analistas é de um desempenho positivo para o Ibovespa. O Banco Fator, por exemplo, estima que o indicador estará em 41.000 em dezembro do ano que vem, o que representa um ganho de quase 40% em relação ao fechamento de 2008. Algumas casas têm projeções mais ou menos otimistas. O que parece ser consensual é o fato de que o primeiro trimestre será o período mais difícil do ano. "Haverá muita decepção sobre os lucros das empresas nos EUA e em grande parte do mundo", disse George Sanders, estrategista de renda variável da Infinity Asset Management. Para ele, as bolsas só voltarão a ter um bom desempenho a partir do terceiro trimestre, o que garantiria uma valorização de 20% do Ibovespa.

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