Bolsa cai ao menor nível desde 2011 e agência agora ameaça rebaixar bancos

A Bolsa de Valores de São Paulo caiu ontem ao menor nível desde outubro de 2011, depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor's anunciou, na noite de quinta-feira, que pode rebaixar a nota dada ao Brasil.

O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2013 | 02h07

O índice Bovespa caiu 2,39% e fechou aos 51.618 pontos. Entre as ações que mais caíram estão os papéis da Eletrobrás e da Petrobrás, que também serão analisadas pela S&P para possível rebaixamento de sua classificação de risco.

No fim da tarde de ontem, a agência anunciou que também rebaixou a perspectiva da classificação de 11 instituições financeiras que atuam no Brasil.

Estão na lista Bradesco, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Citibank, Itaú BBA, Itaú Unibanco, HSBC Brasil, Santander, Allianz e BM&FBovespa.

Mau humor. As reavaliações das notas pela S&P reforçam o mau humor do mercado financeiro com o Brasil.

"Recebemos um puxão de orelha da S&P e seria importante que o governo não desprezasse esse sinal", disse Carlos Kawall, economista-chefe do banco J.Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional.

"Os motivos que a agência alega para sua decisão eram conhecidos e já mereciam atenção. Seria ruim se a resposta à revisão fosse em forma de crítica à S&P, pois neste momento ela apenas externa uma preocupação que já vinha sendo notada."

O câmbio também foi afetado pela medida. O dólar voltou a subir, pressionado pela revisão da nota brasileira e também pelo cenário internacional, com a expectativa dos investidores de que o Fed (banco central americano) reduza estímulos à economia e a quantidade de dólares no mercado.

No Brasil, a alta da moeda americana foi de 0,66% e a cotação chegou a R$ 2,1360. Para o gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa, a revisão do rating brasileiro foi a principal causa da alta do dólar ontem.

Petrobrás. O resultado da Bovespa foi puxado pelas quedas da Petrobrás e da Eletrobrás, cujas notas serão revisadas pela agência. As ações preferenciais da Eletrobrás caíram 5,25% e as da Petrobrás, 3,19%.

A presidente da Petrobrás, Maria Graça Foster, afirmou estar confiante de que "aconteça o que acontecer, (a Petrobrás) vai manter o grau de investimento". A classificação de grau de investimento é considerada uma garantia de segurança para os investidores.

Graça afirmou que a nota da Petrobrás está atrelada à do País. "A classificação que temos é puxada pelo Brasil", disse, após participar de evento no Ibef, no Rio. Mas disse que está confiante nas perspectivas positivas da empresa, com aumento de investimentos e produção.

Graça reconheceu, porém, que o câmbio, após a recente apreciação do dólar, dificulta a situação. "O câmbio como está não é bom para a Petrobrás", disse. A Petrobrás tem 78% de seu endividamento em dólar e a maior parte dos custos da exploração e produção são em dólar. "Pontualmente, preocupa a Petrobrás", disse a executiva.

No plano de negócios 2013-2017 a empresa prevê um dólar a longo prazo a R$ 1,85. Graça, porém, negou que o patamar seja o ideal para a companhia. Apenas reforçou que os R$ 2,13 de ontem são altos para a empresa. / AGÊNCIA ESTADO E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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