Bolsa cai ao menor nível em 8 meses

Crise europeia leva Ibovespa a fechar abaixo de 60 mil pontos e provoca quinta alta seguida do dólar, elevando a cotação a R$ 1,837

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

Em mais um dia de grande tensão nos mercados globais, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 1,89% e fechou abaixo dos 60 mil pontos pela primeira vez desde setembro do ano passado. No ano, o principal termômetro da bolsa brasileira acumula baixa de quase 13%, a terceira maior entre os principais mercados acionários do mundo. O dólar subiu pela quinta vez seguida em relação ao real: 0,82%, para R$ 1,837.

Além das incertezas sobre a situação da Grécia e da própria Europa (principalmente sobre o futuro do euro), medidas adotadas unilateralmente pela Alemanha para coibir a especulação foram mal recebidas pelos investidores. "O fato de o governo alemão ter imposto regras isoladamente traz insegurança sobre a liderança na região", afirmou o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi. "Sem uma liderança forte, a crise europeia não se resolve."

Na terça-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, proibiu diversas operações no mercado. Entre elas, as chamadas vendas a descoberto de ações de 10 bancos e seguradoras do país.

Também está vetada a venda a descoberto de Credit Default Swaps (CDS, uma espécie de seguro contra calote) das mesmas instituições e de títulos públicos emitidos pelos 16 países que formam a zona do euro.

Venda a descoberto é uma operação pela qual, como o próprio nome indica, um investidor vende um papel que não possui. É uma maneira de apostar na desvalorização de uma ação ou título de dívida. Segundo autoridades europeias, esse tipo de negócio contribuiu decisivamente para a piora da situação da Grécia. No auge da crise americana, as vendas a descoberto foram vistas como vilãs das expressivas desvalorizações por que passaram as ações dos bancos do país.

A interpretação do analista da SLW é apenas uma entre várias que percorreram o mercado ontem. Houve quem falasse, por exemplo, que a atitude de Angela Merkel indica que há problemas no sistema financeiro de seu país. Apesar desse cenário obscuro, o euro reverteu a tendência dos últimos meses e subiu em relação ao dólar ontem. No início da noite, valia US$ 1,2405, uma alta de 1,76%.

Segundo analistas internacionais, o desempenho foi explicado por especulações de que o Banco Central Europeu (BCE) adotará medidas para conter as perdas da moeda. O BCE não comentou os rumores.

Vaivém. Do ponto de vista do mercado brasileiro, os analistas estão certos de que haverá muita volatilidade enquanto uma solução mais clara para os problemas europeus não aparecer.

"O Brasil vai bem, mas, neste ambiente de aversão ao risco, os estrangeiros saem da bolsa em busca de ativos mais seguros", afirmou a assessora de investimentos da Gradual Corretora, Emanuelle Serra. Em maio, até o dia 17, o saldo de investimento estrangeiro na Bovespa estava negativo em R$ 1,45 bilhão.

O superintendente da Corretora do Banco Banif, Raffi Dokuzian, avalia que, quando as tensões passarem, os fundamentos positivos da economia brasileira vão prevalecer. "Acredito que a bolsa está testando as mínimas do ano nesses dias."

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