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Dólar fecha em queda de 0,8%, cotado a R$ 3,82 com avanço da reforma

Investidores avaliam que a leitura do relatório da reforma da Previdência na CCJ é sinal de que a proposta caminha em direção à aprovação; no mercado de ações, o Ibovespa teve queda de 0,35%

Altamiro Silva Junior, Paula Dias e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 11h37
Atualizado 10 de abril de 2019 | 18h35

Uma conjunção de fatores contribuiu para a queda do dólar ante o real e dos juros futuros nesta quarta-feira, 10. O clima já era melhor no começo do dia, depois que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara concluiu, na noite de terça-feira, a leitura do relatório da reforma da Previdência recomendando a admissibilidade do texto.

Também houve a instalação, no Senado, da comissão especial para acompanhar a tramitação do texto da reforma na Câmara, o que ajudou a ampliar a percepção de que o tema está andando. Como resultado, o dólar à vista no balcão terminou com desvalorização de 0,78%, a R$ 3,8234. Na mínima do dia, chegou a bater em R$ 3,81.

O Ibovespa, no entanto, não se rendeu a esse quadro e terminou o dia com baixa de 0,35%, aos 95.953,45 pontos. Apesar de pontuarem o andamento da reforma, os agentes ponderaram certo temor em relação ao processo de tramitação como um todo, sobretudo nas comissões, e optaram pela cautela. Além disso, o acordo da cessão onerosa fechado entre Petrobras e União, apesar de positivo, veio dentro do esperado, o que possibilitou uma realização de lucros com as ações da estatal.

Declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em Nova York, também deram impulso aos ativos. Ele disse que o Brasil não pegou uma parte "justa" do fluxo de recursos internacionais e que, se as reformas forem aprovadas, a autoridade monetária pode reavaliar o uso das reservas, ainda que o custo de carregamento seja baixo. No começo da tarde, foi a vez de Guedes reforçar o tom positivo para os mercados, ao, além de defender a reforma da Previdência, dizer que a meta de arrecadação com privatizações neste ano, de US$ 20 bilhões, deve ser superada em 20% a 40%.

O exterior também contribuiu. Um dado de inflação fraco nos Estados Unidos fez o dólar cair no mundo todo e, à tarde, o Federal Reserve, na ata da sua última reunião, reforçou que não deve subir juros este ano.

Nos juros, houve queda em todos os vértices, mas o movimento foi mais intenso nos prazos mais longos, beneficiados pelo clima positivo sobre a reforma e pelo dólar. Os curtos, por sua vez, tiveram a retirada de prêmios limitada pela ideia de que a Selic não deve cair neste ano, o que foi reforçado pelo IPCA de março acima das previsões, ainda que o dado tenha ficado em segundo plano.

Petrobrás

As negociações da Petrobrás com a União para o pagamento da cessão onerosa saíram na noite de terça-feira do papel, após seis anos de discussões, mas o mercado, que já havia precificado o acordo, não comemorou o desfecho das negociações. Os papéis da petroleira, que durante todo o dia percorreram os dois campos no Ibovespa, acabaram fechando em queda. Ao todo, a União pagará US$ 9,058 bilhões à estatal.

As ações ON da Petrobrás fecharam o pregão em queda de 0,55%, para R$ 32,27, enquanto PN terminaram com redução de 1,30%, para R$ 28,78. Também em queda hoje estiveram Vale ON (-1,13%, para R$ 51,76) e CSN ON (-3,65%, para R$ 16,11). Os papéis ON da BR Distribuidora caíram 0,97%, para R$ 23,40.

A companhia pagará multa de R$ 64,4 milhões e, a Ipiranga, de R$ 40,6 milhões, por terem ajudado postos de combustíveis de Belo Horizonte e cidades de Minas Gerais a formarem cartel. As duas foram condenadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta quarta-feira.

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