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Bolsa dá força a fundos imobiliários

Medidas da BM&FBovespa buscam aumentar liquidez do produto no mercado nacional

Lélia Rizzi, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

As estatísticas dos últimos anos mostram que o investidor brasileiro está mais interessado em investir em fundos imobiliários. De 2009 para 2010, a alta nas negociações desses fundos foi de 66%, de R$ 228 milhões para R$ 379 milhões. De janeiro a abril de 2011, o volume já soma R$ 230 milhões. Tudo indica que, neste ano, um novo recorde será batido pelo segmento.

Apesar da forte expansão, muita gente tem receio de aplicar nesse ativo por causa da baixa liquidez, o que limita as opções de saída do investimento. A BM&FBovespa entrou no jogo para tentar resolver o problema.

Segundo o diretor executivo de desenvolvimento de negócios da bolsa, José Antonio Gragnani, a Bolsa desenvolveu, em conjunto com a Brazilian Finance & Real Estate, soluções para aumentar o interesse por cotas de fundos imobiliários no mercado secundário. A BM&FBovespa promete também ações educativas para as pessoas físicas.

Uma das principais vantagens do investimento é a isenção de Imposto de Renda, que só incide, com uma alíquota de 20%, em caso de ganho de capital (ou seja, só há desconto se a pessoa tiver lucro quando vender a cota). Além disso, especialistas ressaltam que, para as pessoas físicas, os fundos permitem um acesso diferenciado ao mercado imobiliário.

Em vez de comprar diretamente um imóvel, o que implica gastos com manutenção e as eventuais dificuldades de alugar - além de exigir um desembolso inicial considerável -, o fundo imobiliário permite que a pessoa seja sócia de um imóvel.

O investimento permite ainda uma maior diversificação de portfólio de compras - há vários tipos de opções disponíveis, como escritórios, shopping centers, flats e apartamentos. No caso dos escritórios classe A - que atualmente passam por um momento de alta no preço, em razão da baixa taxa de vacância -, há também a administração profissional dos empreendimentos, o que geralmente se reflete em remuneração maior aos cotistas.

Já existem no País investimentos com cotas iniciais a partir de R$ 1 mil para pessoas físicas. Para adquirir uma cota e começar o investimento, é preciso ter conta aberta em uma corretora.

Especialistas ponderam, no entanto, que, como todo investimento, os fundos imobiliários podem ser influenciados por eventos de natureza política, econômica ou financeira. Uma crise econômica, por exemplo, pode reduzir a taxa de ocupação imobiliária e levar a uma queda nos preços dos imóveis.

Prós e contras. O administrador de investimentos Fábio Colombo diz que é preciso considerar as vantagens e desvantagens da aplicação. "Uma grande vantagem é que o capital acaba tendo acesso a novos ativos", disse, em referência à variedade de imóveis oferecidos.

Por outro lado, ele pondera que falta uma referência para o investidor acompanhar as oscilações das cotas desse fundos. "Ou seja, falta a ele a percepção de ganho ou perda", afirma o especialista.

A BM&FBovespa também quer ajudar a resolver esse problema. A Bolsa promete criar um índice, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), para acompanhar as oscilações do mercado.

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