Bolsa de Londres aguarda entrada de empresas brasileiras

'O Brasil está passando por um maravilhoso ressurgimento econômico', disse presidente da LSE

Daniela Milanese, Agência Estado

23 de maio de 2008 | 09h21

O presidente do conselho de administração da Bolsa de Londres (LSE), Chris Gibson-Smith, afirmou nesta sexta-feira, 23, que tem "fortes expectativas" para a entrada de empresas brasileiras no pregão londrino. "O Brasil está passando por um maravilhoso ressurgimento econômico", disse. "Queremos fazer parte desse processo." A América Latina é um dos focos da estratégia internacional da LSE, que tem como objetivo atrair cada vez mais empresas estrangeiras e consolidar Londres como centro financeiro mundial. Para Gibson, a fusão entre a Bovespa e a BM&F, que recentemente criou a terceira maior bolsa de valores do mundo, não é um problema para os planos da LSE. "Há boas razões para levantar recursos tanto na praça local como na internacional. O que queremos ver é o fortalecimento do mercado de ações." A presidente da LSE, Clara Furse, acredita que Londres possui características que podem complementar os mercados locais, tanto para o Brasil como para outros países. Uma delas é funcionar como porta para a Europa, no caso de companhias interessadas em acessar e crescer nesse mercado. Atualmente, não há nenhuma empresa com sede no Brasil negociada na praça londrina. Existem algumas companhias com atuação no País listadas no mercado de acesso, o Alternative Investment Market (AIM). A relação inclui nomes como Itacaré Capital Investments (resorts), Clean Energy Brazil, Infinity Bio-Energy (energia limpa), Brazil Diamonds, River Diamonds e Hidefiled Gold (que opera na Argentina também). Outros países da América Latina têm presença maior. No mercado principal, estão duas chilenas (Antofagasta e Banco do Chile), três argentinas (Yamana Gold, Mirgor e Grupo Clarin), uma peruana (Hochschild Mining), além da mexicana Fresnillo, que estreou neste mês com um IPO de US$ 900 milhões. No ano passado, quase metade dos recursos levantados na Bolsa de Londres vieram de empresas estrangeiras. Segundo Clara, a LSE registrou mais IPOs de companhias com sede em outros países do que a Dow Jones, Nasdaq e a bolsa alemã juntas, considerados os últimos 12 meses encerrados em março. "O nosso perfil internacional tem gerado receitas adicionais." Sobre o processo de consolidação mundial das bolsas em curso atualmente, Clara afirmou que fusões e aquisições seguem no foco da LSE, mas no momento a praça londrina está digerindo a compra da bolsa italiana, realizada em abril de 2006 e concluída no ano passado. Mas há fôlego financeiro, já que a relação entre dívida e Ebitda está atualmente em 1,25 vez, indicador considerado confortável. Os executivos anunciaram ontem o resultado da Bolsa de Londres nos últimos 12 meses encerrados em março. O lucro líquido somou 174 milhões de libras, crescimento de quase 60%. A receita teve alta de 56%, para 546,4 milhões de libras, refletindo a absorção da bolsa italiana.

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