Bolsa de Milão e euro caem após Moody´s colocar bancos em revisão

Agência de classiicação de risco avalia que a probabilidade de os governos europeus, incluindo o italiano, de dar suporte aos bancos domésticos é menor agora do que anteriormente

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

24 de junho de 2011 | 08h55

As ações dos bancos italianos foram suspensas na Bolsa de Milão mais cedo, mantendo o índice FTSE MIB entre os poucos a operar em baixa na Europa, em reação ao alerta da Moody's ontem sobre a possibilidade de 16 instituições terem seu rating cortado. A notícia da Moody's também pesou sobre o euro, que opera em baixa frente ao dólar. Às 8h48 (de Brasília), o índice FTSE MIB caía 0,53%. O euro operava a US$ 1,4222, de US$ 1,4257 no fim da tarde de ontem.

A Moody's disse que um grupo de bancos italianos pode ter seus ratings rebaixados, em consequência da colocação em revisão para possível rebaixamento do rating soberano da Itália e de sua reavaliação sobre a intenção do governo em dar suporte as empresas financeiras.

"Diante do difícil cenário econômico atual, a probabilidade de os governos europeus, incluindo o italiano, de dar suporte aos bancos domésticos é menor agora do que anteriormente", disse o analista da Moody's, Henry MacNevin. O analista informou que a ação de rating não tem como foco a situação de bancos específicos, mas o panorama para o setor como um todo.

A agência colocou em revisão para possível rebaixamento, o rating de dívida de longo prazo e de depósito de 16 bancos italianos e o rating de emissor de longo prazo de duas instituições financeiras relacionadas ao governo.

A Moody's também alterou de estável para negativa a perspectiva para a dívida de longo prazo e dos ratings de depósito de outros 13 bancos italianos.

As ações do UniCredit SpA (UCG.MI), Intesa Sanpaolo SpA (ISP.MI), Banca Popolare di Milano (PMI.MI) e UBI Banca (UBI.MI) foram suspensas nesta manhã. As informações são da Dow Jones.

Stop-loss

O órgão regulador do mercado da Itália abriu uma investigação sobre as ordens de stop-loss executadas hoje, que levaram as ações dos maiores bancos do país a despencarem, informou uma fonte próxima ao assunto. O Consob também vai monitorar as operações na Bolsa de Milão nos próximos dias, segundo a fonte.

"No geral esses mecanismos não produzem um efeito dominó", disse a pessoa ouvida pela Dow Jones. "Mas o mercado hoje está com baixa liquidez e muitas incertezas em razão da Grécia e do alerta da Moody's (sobre os bancos italianos). Com todos esses elementos juntos, não é preciso muito para provocar tal efeito", acrescentou.

Ordens de stop-loss são feitas a corretores para venderem ações quando elas atingem um certo preço. Essas ordens são destinadas a proteger os lucros que tenham sido obtidos ou para evitar prejuízos futuros.

Negócios com ações de bancos como o UniCredit e o Intesa Sanpaolo foram temporariamente suspensas no começo da sessão, depois de caírem mais de 5%. Operadores e gerentes de fundos citaram várias prováveis razões para a queda, como um rumor de que a Itália será rebaixada por uma agência de rating.

Além disso, ontem a Moody's colocou em revisão para possível rebaixamento os ratings de 16 bancos da Itália e circulam no mercado rumores de que os bancos italianos não serão aprovados nos testes de estresse que estão sendo feitos na Europa. As informações são da Dow Jones.

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