Bolsa de Nova York cria índice de cotação de bitcoin

Instituição quer que ferramenta seja referência no câmbio da moeda digital, que passou a ganhar reconhecimento no mundo financeiro

O Estado de S.Paulo

20 Maio 2015 | 02h04

Em um importante passo em direção à aceitação do bitcoin pelo mercado financeiro, a Bolsa de Valores de Nova York anunciou ontem a criação de um índice que acompanhará a cotação da moeda digital. A iniciativa vai funcionar por tempo limitado e tem como objetivo se tornar um indicador de referência no valor da moeda, atualmente cotada de formas alternativas em diferentes sites.

Batizado com a sigla NYXBT, o serviço será oferecido no Índice Global da NYSE de forma gratuita. Para realizar a conversão de bitcoins em dólares, a bolsa irá acompanhar transações realizadas com a moeda pelo mundo. Atualmente, o Google e a Bloomberg também realizam a medição do valor de bitcoins, mas o mercado não conta ainda com um indicador de referência na categoria.

"Iremos usar nosso nome e reputação como fornecedor global de índices para nos diferenciar das cotações fornecidas pelo resto do mercado", disse Tom Farley, presidente da Bolsa, em comunicado à imprensa.

A Bolsa de Nova York já vinha se preparando para entrar no mercado da moeda virtual. Em janeiro, ela comprou uma carteira de US$ 75 milhões de bitcoins. Segundo Farley, a Bolsa está mostrando que consegue se adaptar facilmente aos novos dispositivos e tecnologias que surgem. "Não vamos esperar até que esse mercado evolua completamente; vamos sentar no banco da frente e ver como ela irá amadurecer."

De acordo com o presidente da bolsa nova-iorquina, a medida vai ao encontro da demanda do consumidor.

"O valor do bitcoin está rapidamente se tornando um dado que nossos clientes querem acompanhar quando estudam uma transação, negócio ou investimento com essa categoria emergente de bens", afirmou Farley. "Estamos felizes de trazer esta transparência ao mercado."

Sobre os câmbios de bitcoin que pretende monitorar, a bolsa reforçou que serão apenas aqueles "que foram avaliados e atenderam aos padrões da NYSE", disse o presidente da instituição.

Aceitação. Nos últimos meses, várias entidades de renome no setor financeiro norte-americano se aproximaram do bitcoin. A Nasdaq, bolsa de empresas de tecnologia, anunciou em março que iria fornecer a uma startup a tecnologia necessária para rodar um câmbio de compra e venda de bitcoins e demais moedas virtuais.

Depois de alertar investidores sobre a falta de segurança do bitcoin em 2014, o banco Goldman Sachs decidiu investir US$ 50 milhões em abril deste ano em uma operadora de bitcoin ao lado de um fundo de investimento chinês.

Larry Summers, ex-secretário do tesouro dos Estados Unidos, falou em fevereiro sobre a necessidade de regulação da moeda, que ele vê como uma maneira de reduzir custos e ineficiências no sistema de pagamentos globais.

No mês seguinte, a IBM afirmou que estava considerando a adoção de uma tecnologia usada na moeda digital bitcoin chamada "blockchain". Trata-se de uma carteira virtual com registro de transações. A intenção da IBM seria criar um sistema de moeda digital e pagamento para moedas importantes, segundo informações de uma pessoa familiarizada com o assunto.

Segundo o Banco da Inglaterra, 41 milhões de contas de bitcoins operavam no mundo em 2014. Embora o valor total do comércio de bitcoins seja desconhecido, analistas estimaram que os gastos globais em bens e serviços com a moeda dobraram no ano passado.

A mais popular entre as inúmeras moedas virtuais existentes, o Bitcoin não tem um administrador central; uma rede de computadores de voluntários valida as transações, que requerem assinaturas eletrônicas criptografadas. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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