Bolsa de NY fecha no nível mais baixo em 12 anos

Dow Jones fechou em baixa de 3,41%%, aos 7.114,78 pontos. Na Europa, é o patamar mais baixo em seis anos

23 de fevereiro de 2009 | 18h05

Os problemas com os bancos norte-americanos deixaram os investidores no mundo todo mais preocupados nesta segunda-feira, 23. O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 3,41%%, aos 7.114,78 pontos, o nível mais baixo em 12 anos. Na Europa, as bolsas de valores europeias atingiram o menor patamar em seis anos. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais bolsas da região, recuou 0,68%, para 730 pontos. O indicador acumula queda de 12% neste ano, depois de já ter caído 45% em 2008. Veja também: UE quer maior regulação financeira e reforço de US$ 500 bilhões no FMI Governo dos EUA pode aumentar fatia no Citi EUA reiteram compromisso em ajudar sistema bancário  O temor de que a crise perdure por mais tempo e reduza ainda mais o crescimento econômico mundial provocou a queda do preço do petróleo. O preço chegou a subir na sessão, atingindo máxima acima de US$ 41 por barril, mas fechou em queda de 4,57%, a US$ 38,20 o barril.    Nas bolsas, as ações de bancos estão entre as mais penalizadas. Na Europa, UBS perdeu 9%, Deutsche Bank caiu mais de 5% e Dexia despencou 12%.  Logo na abertura dos mercados em Nova York, o governo tentou tranquilizar os investidores. Em comunicado conjunto, o Departamento do Tesouro, o Federal Reserve e três outras agências federais disseram que darão início a um programa na quarta-feira para avaliar as necessidades de capital dos grandes bancos norte-americanos e determinar se eles precisam de um alívio maior.  Se eles precisarem, o dinheiro poderá vir do setor privado ou do governo em forma de ações preferenciais que sejam convertidas em ações ordinárias com o tempo, uma forma de assegurar que os bancos tenham recursos suficientes para lidar com as perdas de crédito.  "Em razão de a nossa economia funcionar melhor quando as instituições financeiras estão bem administradas no setor privado, o Programa de Assistência de Capital assume que os bancos devem continuar em mãos privadas", disseram as agências. Contudo, no caso do Citigroup, o terceiro maior banco dos Estados Unidos, o governo já anunciou que negocia um aumento da participação pública no banco. O Citi e o governo estariam discutindo um plano no qual o governo converteria um pedaço considerável dos US$ 45 bilhões em ações preferenciais que comprou no ano passado, aumentando assim a sua participação em cerca de 40%.  Depois de caírem cerca de US$ 2 na sexta-feira, as ações do Citigroup subiram mais de 20%após o anúncio das conversações. Mas os investidores temem que as perdas decorrentes de cartões de crédito, países emergentes e ativos podres possam afundar os esforços do presidente-executivo do banco, Vikram Pandit, para retomar o ritmo fiscal do Citigroup. Os analistas não acreditam que o Citigroup seja rentável nem em 2009 nem em 2010. Nesta segunda-feira, a França também saiu em socorro das instituições financeiras, prometendo até 5 bilhões de euros (US$ 6,3 bilhões) em ajuda adicional ao Banque Populaire e ao Groupe Caisse d'Epargne. Os dois bancos devem detalhar nesta semana uma fusão e a nova ajuda do país poderia aumentar a participação do governo para até 20% no que se tornaria o segundo maior banco de varejo francês. Orçamento O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu hoje reduzir à metade o déficit fiscal do país, atualmente em US$ 1,3 trilhão, até o fim de seu mandato, em 2013. Obama falou no começo de uma "cúpula de responsabilidade fiscal" na Casa Branca, da qual participam cerca de 130 pessoas, e que tem como objetivo determinar o que fazer contra o ingente déficit fiscal a médio e longo prazo. O Governo americano aprovou fortes investimentos públicos para conter a crise econômica, o que, admitiu o líder, piorará um déficit fiscal que, na Administração do ex-líder George W. Bush, alcançou US$ 1,3 trilhão, um valor recorde. O governante deve anunciar nesta quinta-feira as linhas diretrizes de seu orçamento para o próximo ano fiscal, que começará em outubro. A proposta detalhada será tornada pública em abril. Obama afirmou hoje que a meta de reduzir o déficit a US$ 533 bilhões ao fim de seu mandato será alcançada, entre outras coisas, "voltando ao princípio de não gastar o que não" têm, uma conduta que, disse, tinha sido abandonada durante o mandato de Bush. Ele também prometeu que os assessores econômicos serão "honestos" na hora de elaborar o orçamento.

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