Bolsa de NY tem pior resultado em 5 anos e derruba Bovespa

Queda do Dow Jones chega a 7% e afeta desempenho do mercado brasileiro, que caiu 3,92% no fechamento

Da Redação,

09 Outubro 2008 | 17h33

Uma onda de pânico tomou conta dos investidores na última hora da sessão na Bolsa de Nova York, fazendo com que o índice Dow Jones atingisse o seu pior nível em cinco anos. Prejudicado por temores com o futuro dos bancos e da General Motors, o DJ caiu 7,33%, operando abaixo dos 9 mil pontos pela primeira vez desde 2003, enquanto o Nasdaq perdeu 5,47%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo foi afetada pela piora em Wall Street e fechou em queda 3,92%, aos 37.080 pontos, após operar em alta durante a maior parte do dia. O patamar de fechamento é o menor desde 3 de outubro de 2006 (36.437,55 pontos).   Veja também: BID pode ajudar países contra crise, diz vice-presidente  Como o mundo reage à crise  Após dois novos leilões do BC, dólar fecha em queda de 4,82% Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA  A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil  Entenda a crise nos EUA    Participantes do mercado local não souberam explicar o motivo da piora, apenas atrelando-a à aceleração das perdas nos pregões norte-americanos. "É mais do mesmo", resumiu o economista-chefe de uma corretora em São Paulo. "Não é a primeira vez que a bolsa ensaia uma recuperação intraday, mas não tem fôlego para levá-la até o final e desaba. No começo do dia, especuladores compram, tendo como argumento uma ou outra notícia positiva ou porque os preços caíram demais, mas, durante a jornada, eles vêem que o mercado segue sem força e zeram essas posições, 'amassando' as ações", observou.   As perdas das ações do setor financeiro e as preocupações relacionadas ao crédito continuam a pesar sobre o sentimento no mercado, que teme uma recessão global prolongada. Refletindo esses temores, os contratos de petróleo para novembro fecharam no menor nível em um ano, abaixo de US$ 87,00 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex).   Os investidores vêem uma deterioração na demanda futura em virtude da desaceleração das economias dos países desenvolvidos, assolados pela crise financeira. Além disso, as ações da General Motors caíram ao nível mais baixo deste 1950 nesta quinta, prejudicadas por temores de que uma queda na atividade industrial que começou nos Estados Unidos está se espalhando e o alerta de um analista de que a demanda por automóveis poderia entrar em colapso em 2009. Os papéis caíram 22%, para US$ 5,42 - levando seu valor de mercado ao menor nível desde 1929, de acordo com os dados da Global Financial Data.   Europa   Na Europa, principais bolsas fecharam em baixa - Londres, -1,21%; Paris, -1,55%; Frankfurt, -2,53%. Entre as ações de bancos , as do Barclays caíram 13% e as do Santander perderam 4,3%. Os papéis de companhias ligadas a petróleo caíram à medida que o preço da commodity recuava quase 2%, com as ações da Royal Dutch Shell caindo 3,2% e as do BP se desvalorizando 1,8%.   Nesta quinta, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que não poderia descartar a estatização de qualquer banco do país, na seqüência de movimentos similares em outros países europeus, como no Reino Unido. "Nenhuma possibilidade pode ser totalmente descartada", disse Merkel, em Berlim, depois de conversar com o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk. Contudo, ela acrescentou que os efeitos dos cortes coordenados das taxas de juro pelos bancos centrais ao redor do mundo precisam ser avaliados primeiro.   Além disso, a Holanda anunciou no fim desta tarde a criação de um fundo de 20 bilhões de euros para ajudar as instituições financeiras durante a crise de crédito. O ministro das Finanças, Wouter Bos, afirmou que o dinheiro estará disponível para qualquer banco ou seguradora "essencialmente saudável".   Bush   O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fará um pronunciamento na manhã desta sexta-feira com objetivo de assegurar aos nervosos investidores que o governo norte-americano está agindo para estabilizar os mercados financeiros. "Em relação a continuada volatilidade do mercado nesta tarde, o presidente fará um pronunciamento no jardim da Casa Branca na manhã de amanhã", disse a porta-voz da Casa Branca Dana Perino. "Ele vai assegurar ao povo americano que eles podem confiar que as autoridades econômicas estão tomando todas as ações, de forma agressiva, para estabilizar nosso sistema financeiro."   O pronunciamento será por volta das 11h (de Brasília), embora a Casa Branca ainda esteja finalizando os detalhes. "O Departamento do Tesouro, o Federal Reserve e o FDIC, todos têm os instrumentos necessários para lidar com os problemas que estamos enfrentando", disse Perino. "O Departamento do Tesouro está agindo rapidamente para usar os novos instrumentos para melhorar a liquidez, que está na raiz deste problema. Os americanos devem confiar que todos os esforços estão sendo feitos para estabilizar nossos mercados."    

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