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Bolsa de valores volta à praia. E com direito a massagem

Reação de banhistas na Riviera de São Lourenço varia de aprovação à aversão

Ana Paula Lacerda, BERTIOGA (SP), O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Na avenida central da Riviera de São Lourenço, via que dá acesso à praia, quem caminhava na sexta-feira sob a sombra das palmeiras via, além dos barzinhos e lojas, "um quiosque de massagem do lado do carro do Scooby-Doo", segundo a descrição de um veranista.Mas o quiosque não era - só - de massagem, e o tal carro era o Bolsamóvel, unidade móvel de atendimento da BM&F Bovespa. A massagem era só o chamariz do "BM&F Bovespa vai à Praia", projeto da bolsa para ensinar as pessoas sobre o funcionamento do mercado. A iniciativa faz parte do programa lançado há alguns anos pela Bovespa para mostrar que qualquer um pode aplicar na bolsa.Nos últimos anos, com índices de rentabilidade altíssimos, era mais fácil convencer as pessoas disso. Agora, a Bolsa volta à praia com um desafio muito maior: mostrar que o negócio é atrativo, mesmo com a gigantesca queda das ações dos últimos meses."Ai, nem quero ouvir falar de bolsa", disse uma banhista que se desviou do quiosque. "Ela já trouxe muito problema para as pessoas." Como ela, muitos banhistas faziam questão de passar longe do Bolsamóvel. "Faz parte do jogo", disse o corretor Claudemir Cunha, da Lerosa Corretora, parceira no projeto. "Perdas como as que muitas pessoas tiveram no ano passado podem acontecer, mas o investidor tem de pensar no longo prazo, ir acompanhando o mercado."Segundo ele, na Riviera, no litoral paulista - praia onde o público é em maioria das classes A e B -, cerca de 50% das pessoas que param no quiosque já são investidores. O vendedor de automóveis Fábio Ozaka foi um dos que pararam na tenda na sexta-feira à tarde, enquanto passeava com o filho Nicholas. "Achei legal a ideia, você aproveita que está sem fazer nada e tira dúvidas", disse. Ozaka, que já tem investimentos em bolsa há seis anos, queria informações sobre como operar de casa, como home broker, sem pagar taxas a bancos.A outra metade do público é aquela que não investe, não conhece sobre a bolsa ou até que só parou ali para ganhar uma massagem. As primas Gabriela e Marina Sanches pararam no quiosque e ouviram as explicações, mas não tiveram interesse em se tornar investidoras - o que pode ser feito ali na hora, se a pessoa quiser. "Achei meio estranho falar de finanças na praia", disse Gabriela. "Tem quem goste, mas não foi o nosso caso." A dupla ganhou a massagem e continuou seu caminho à praia.Apesar da crise, o número de investidores pessoa física na bolsa está crescendo. Eles passaram de 527 mil em setembro do ano passado para 550 mil em dezembro. Espera-se que na Riviera, onde o Bolsamóvel fica até hoje à noite, mil pessoas visitem o espaço. "Os melhores dias são os do fim de semana", disse uma das atendentes. "É quando todo mundo que ainda estava trabalhando chega. Isso, se não chover."A meta é superar, após todo o trajeto pelas praias brasileiras, o número de visitantes do ano passado: 22.823 pessoas. "Quando as pessoas se informam, elas veem que há oportunidade na bolsa", diz Cunha. A professora Daniele Franco, que foi ao quiosque sem saber do que se tratava, disse que ficou interessada em investir na bolsa. "Depois da explicação, deu até vontade de separar um dinheirinho para experimentar", comentou. "E a massagem que eles fazem é uma delícia. "

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