Bolsa dispara e BC atua para conter queda do dólar

Os mercados mundiais reagem com euforia ao depoimento do presidente do Fed (banco central norte-americano), Ben Bernanke, no Senado norte-americano. As bolsas norte-americanas sobem mais de 2% - tanto a Dow Jones quanto a Nasdaq. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) dispara mais de 4% e dólar recua 0,64%, às 15h54.O Banco Central no Brasil voltou a atuar no mercado cambial comprando dólares para conter a depreciação da moeda norte-americana frente ao real. O BC aceitou 17 propostas (de 12 bancos) no leilão de compra de dólar, em que pagou taxa de corte de R$ 2,1790. Na operação foram apresentadas 23 propostas com taxas de R$ 2,1760 a R$ 2,1800. Às 15h46, o dólar chegou ao patamar mínimo até este horário, cotado a R$ 2,1760, em baixa de 0,78%. As declarações de Bernanke de que a desaceleração no ritmo da atividade econômica "está ocorrendo", o que poderá "ajudar a limitar a pressão inflacionária ao longo do tempo", levaram os mercados a avaliar que o Fed conta com crescimento menor para reduzir a pressão sobre os preços. Isso pode conter a alta de juros nos EUA - um cenário que favorece economias do mundo todo.Declarações minimizam inflaçãoAs declarações de Bernanke neutralizaram o recado negativo do índice de inflação ao consumidor (CPI) de junho, divulgado mais cedo. O índice cheio subiu 0,2%, em linha com as previsões, mas o seu núcleo, que exclui os preços de energia e alimentos, subiu 0,3%, acima do 0,2% previsto. A variação anual do núcleo do CPI (2,6%) superou o teto da chamada zona de conforto do Fed, de 2%.Na sessão de perguntas e respostas, Bernanke deu motivos para o mercado confirmar sua interpretação favorável: ele disse que inflação, geopolítica e petróleo são riscos de curto prazo e que ganhos salariais não são necessariamente inflacionários.Movimento passageiro?Resta saber se a melhora é consistente ou se reflete sobretudo a contrapartida de um mercado que estava demasiadamente na defensiva antes.Analistas estrangeiros consultados pelo correspondente João Caminoto, da Agência Estado, alertam que o grau de cautela continua elevado, mas acreditam que os mercados estão dispostos a apostar num viés otimista neste momento. Isso segundo eles, poderá sustentar um ambiente positivo pelo menos por alguns dias.Embora considerem que a fala de Bernanke tenha deixado aberta a porta para interpretações conflitantes sobre a tendência dos juros, eles observam que muitos investidores já tinham precificado um quadro mais negativo, o que não ocorreu, e voltaram às compras, inclusive de ativos de risco."Vamos ter que esperar até amanhã para ver se essa recuperação não será freada com uma realização de lucros (venda de ativos para embolsar ganhos obtidos), mas por enquanto os sinais apontam que ela pode continuar mais tempo", disse Ingrid Iversen, estrategista do fundo de investimentos Insight Investments.O economista Gene Frieda, chefe pesquisa para emergentes do Royal Bank of Scotland, também cogita a possibilidade da recuperação nos mercados desta vez ser um pouco mais duradoura. "Na nossa avaliação, a fala do Bernanke ainda deixa elevado o grau de incerteza com os juros nos Estados Unidos", disse Frieda."Mas diante do forte pessimismo que vinha dominando os mercados e a redução ao risco já ter sido extensa, o sinal dado por Bernanke foi acolhido como um alívio, o que causou essa reação positiva." Frieda, no entanto, observou que o humor dos mercados continuará condicionado aos futuros indicadores norte-americanos, além de outros fatores, como os preços do petróleo. Copom reavalia Selic hojeO mercado doméstico espera que, ao final do dia, o Comitê de Política Monetária (Copom) ratifique a aposta praticamente consensual de corte da Selic, a taxa básica de juros da economia, em 0,50 ponto porcentual, para 14,75% ao ano. E amplia apostas otimistas de novos cortes a partir daí.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.