Bolsa do Japão despenca mais de 9%, maior queda em 21 anos

Investidores japoneses estão em pânico diante do impacto que uma eventual recessão mundial terá sobre o país

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

08 Outubro 2008 | 07h50

A Bolsa de Tóquio despencou 9,38% nesta quarta-feira, 8, em sua maior queda desde que os mercados globais sofreram a pior desvalorização diária da história na "segunda-feira negra" de 19 de outubro de 1987. Investidores japoneses estão em pânico diante do impacto que uma eventual recessão mundial terá sobre as empresas do país, que têm nos Estados Unidos um de seus principais mercados de exportação.   Veja também: Reino Unido anuncia plano de resgate e bolsas européias caem 'Cadê o FMI agora?', diz Lula sobre crise financeira Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Crise pode trazer executivos brasileiros de volta ao País Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil Entenda a crise nos EUA      Antes mesmo da explosão da crise no mercado imobiliário dos EUA, a economia local já apresentava sinais de forte desaquecimento, que se agravaram ainda mais nas últimas semanas. A queda de ontem foi generalizada, mas atingiu com mais intensidade os setores automobilístico, siderúrgico, financeiro e fabricantes de equipamentos eletrônicos. Empresas ligadas ao setor imobiliário também sofreram diante da retração do mercado provocada pela crise.   No segmento automotivo, as ações da Toyota recuaram 11,6%, da Nissan Motors, 9,9% e da Honda, 10,3%. Entre as fabricantes de eletrônicos, a Sony teve queda de 12,3%, a Nikon de 12,9% e a Sharp, de 11%. As siderúrgicas também perderam, com quedas de 11,91% nos papéis da Nippon Steel e de 10,76% nos da Japan Steel.   A Câmara Baixa pode aprovar ainda hoje um pacote de estímulo para conter os impactos negativos da crise, que prevê uma suplementação orçamentária de US$ 18,1 bilhões neste ano fiscal.   Com taxa de juros de apenas 0,5%, o Japão tem pouco espaço de manobra para estimular a economia por meio da política monetária. Anteontem, o banco central do país decidiu manter a taxa inalterada, ao mesmo tempo em que seus dirigentes disseram ser contra uma ação concertada de autoridades monetárias de todo o mundo para combater a crise.   As demais Bolsas da Ásia acompanharam o recuo de Tóquio e registraram pesadas perdas. O mercado de Hong Kong teve queda de 8,17%, apesar da decisão do banco central da região de cortar a taxa de juros em 1 ponto percentual, para 2,5%.   Na China, a Bolsa de Xangai recuou 3,04%. As quedas foram mais acentuadas em Cingapura, Coréia do Sul, Taiwan e Indonésia

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