Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa sobe forte e dólar cai 1,2% à espera de decisão do Banco Central sobre a Selic

Expectativa é que Copom adote tom mais duro e suba a taxa em 0,75%; o resultado, no entanto, será divulgado logo após o fechamento do mercado brasileiro

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 11h27
Atualizado 05 de maio de 2021 | 18h10

Os ativos locais tiveram um bom desempenho à espera da decisão do Copom sobre a política monetária do Brasil, que será divulgada logo após o fechamento do mercado. O dólar fechou em queda de 1,21%, cotado a R$ 5,3648, apoiado também pela entrada de novos recursos estrangeiros no País. O cenário beneficiou ainda a Bolsa brasileira (B3), que encerrou em forte alta de 1,57%, aos 119.564,44 pontos.

A expectativa é que o Banco Central volte a elevar os juros para 3,5% ao ano, em um reajuste de mais 0,75% ponto percentual. Além disso, a entidade monetária deve sinalizar novo aumento em junho, deixando a taxa básica do Brasil mais alinhada a outros emergentes. Economistas do Itaú acreditam que a Selic mais alta deve estimular ainda os exportadores, que têm preferido manter seus dólares lá fora, a trazerem a moeda estrangeira para o Brasil, contribuindo para valorização da divisa brasileira.

Nesse ambiente, o real teve hoje o melhor desempenho internacional ante o dólar em uma cesta de 34 moedas mais líquidas. O dólar para junho fechou em queda de R$ 1,67, a R$ 5,3680.

Para a analista de câmbio e emergentes do Commerzbank, Melanie Fischinger, além de elevar os juros em 0,75 ponto porcentual hoje, o comunicado do Copom deve vir mais duro, por conta da inflação acima da meta e o câmbio pressionado, mesmo com a melhora recente do real, o que não permite antever alívio da pressão nos preços pela frente. Para ela, sem resolver os riscos fiscais associados à piora da pandemia, a recente apreciação do real pode não se sustentar. Se os números de casos de covid não mostrarem melhora mais forte, pode crescer a pressão por mais gastos públicos e nova rodada de auxílio emergencial, provocando nova rodada de estresse no câmbio.

Já os economistas do Itaú Unibanco estão com visão um pouco mais otimista com o real, por conta da perspectiva de superávit comercial recorde este ano no Brasil, de US$ 72 bilhões, ajudado pela alta dos preços das commodities. Além disso, os economistas do banco, Julia Gottlieb, Laura Pitta e João Pedro Bumachar, avaliam que a Selic mais elevada tende a fazer o exportador internalizar mais receitas de exportações. Em 2020, estes agentes deixaram ao redor de US$ 30 bilhões no exterior.

Segundo os especialistas, com os reajustes na taxa, o real tende a reduzir a diferença na comparação com os seus pares mais afetados pela pandemia, alguns como o peso chileno e o rand da África do Sul, já sendo negociados em níveis de antes da crise.

Já a entrada de capital externo segue forte no Brasil. Dados divulgados hoje pelo Banco Central mostram que o fluxo cambial continua alto, com destaque para o canal comercial. Na semana passada (de 26 a 30 de abril) o fluxo ficou positivo em US$ 3,220 bilhões. Desse total, a maioria (US$ 2,903 bilhões) foi pelo saldo do comércio. Em abril, o fluxo cambial ficou em US$ 3,990 bilhões.

Bolsa

Ao subir perto de dois mil pontos apenas nesta sessão, o Ibovespa conseguiu retomar o nível da abertura da véspera e voltou aos 119 mil pontos. O impulso veio das empresas dos setores de commodities e também do financeiro - este se recuperou da queda forte de ontem. Isso tudo em um ambiente de bom humor externo, que contribuiu bastante após a derrocada da terça-feira, com a abertura do inquérito da CPI da Covid e a leitura do parecer da reforma tributária.

Hoje, Vale fechou em alta de 0,55%, enquanto Petrobrás ON e PN subiram 4,09% e 4,11% cada. Segundo Thayná Vieira, analista da Toro Investimentos, a alta reflete a temporada de bons resultados corporativos, como, por exemplo, Gerdau, que veio com lucro líquido no primeiro trimestre 1.016% maior do que igual período do ano passado (R$ 2,471 bilhões). As ações ordinárias da siderúrgica avançaram 6,10%.

"O dia foi positivo, mas há sempre um pé atrás em relação aos problemas fiscais no Brasil. Assim, a Bolsa não consegue performar tão bem quanto poderia", diz Thayná. Elenca como pontos negativos a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que hoje ouviu o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que em depoimento reafirmou seu desconforto com ações que incentivaram, durante sua gestão, o uso da cloroquina para pacientes da covid-19.

De todo modo, diz Thayná, houve uma aderência grande ao bom humor do mercado externo. Hoje, os índices do exterior monitoraram indicadores das economias da Europa e Estados Unidos - estes um pouco abaixo do esperado. "Devolvemos parte do estresse e o Ibovespa está se saindo melhor, mas seguimos andando de lado. A marca dos 121 mil pontos virou barreira para lá de psicológica para o mercado", diz André Machado, professor e fundador do Projeto Os 10%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.