Bolsa em baixa de 5,09% e dólar sobe 2,33%

O dia foi de forte nervosismo nos mercados. Os motivos foram a decepção com o resultado da pesquisa eleitoral realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a queda das bolsas em Nova York e, principalmente, o rebaixamento da perspectiva do rating soberano do Brasil de estável para negativo, anunciado pela agência de classificação de risco Moody´s Investor Service.Segundo apurou o correspondente Fábio Alves, a agência citou o sentimento negativo dos investidores como o motivo para o rebaixamento. A Moody´s informou que a confiança de investidores residentes e não-residentes mudou por causa de incertezas associadas ao resultado das eleições presidenciais de outubro (veja mais informações no link abaixo). O nervosismo demonstrado pelos investidores levou o dólar a R$ 2,7780 na ponta de venda dos negócios. Essa foi a cotação máxima do dia alcançada às 14h56. O Banco Central chegou a vender dólares no mercado à vista, ampliando a oferta de moeda norte-americana aos investidores. As cotações recuaram. Às 15h42, o dólar estava cotado a R$ 2,7680 na ponta de venda dos negócios. Mas o efeito da intervenção do Banco Central no mercado de câmbio durou pouco. A partir das 16h, até o encerramento dos negócios, o dólar oscilou entre R$ 2,7700 e R$ 2,7750 e fechou cotado a R$ 2,7700 na ponta de venda dos negócios, em alta de 2,33% em relação aos últimos negócios de ontem. Com o resultado dessa quinta-feira, o dólar acumula uma alta de 10,10% em junho e de 19,60% em 2002.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou a deterioração do mercado cambial. O Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa - fechou em 10.908 pontos, em baixa de 5,09%. Esse é o patamar mais baixo desde 11 de outubro de 2001, quando chegou a 10.784 pontos. Em junho, a Bovespa acumula uma queda de 15,19% e, no ano, a baixa é de 19,66%.O volume de negócios na Bolsa ficou um pouco acima de R$ 596 milhões. Entre as ações que compõem o Ibovespa, as maiores baixas foram apuradas pelas preferenciais (PN, sem direito a voto) da Eletropaulo (-10,31%), as ordinárias (ON, com direito a voto) da Embratel ON (- 10,28%) e Souza Cruz ON (- 8,70%). Somente uma ação do Índice fechou em alta: Celesc PNB subiu 3,77%.O mercado de juros também refletiu o nervosismo dos investidores. Os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 encerram o dia com taxa de 24,750% ao ano, frente ao patamar de 24,200% negociado ontem. Os papéis com vencimento em julho de 2003 fecharam com juros de 29,200% ao ano, frente a 28,800% ao ano ontem. Já a taxa de juros anualizada de swap (troca) de juro prefixado para 30 dias por CDI over fechou em 19% ao ano. Ontem, estava em 18,60% ao ano.O Banco Central realizou hoje mais um leilão de troca de títulos de prazo mais longo por papéis com vencimento mais próximo. Segundo informou a editora Silvana Rocha, a operação totalizou cerca de R$ 1 bilhão. Foram trocados 730 mil títulos pós-fixados com vencimento em 2003 por papéis com vencimento em 20 de novembro desse ano. Risco-país vai a 1.595 pontosA taxa de risco-país, que mede a confiança dos investidores na capacidade de pagamento da dívida do país, estava em 1.595 às 17h43. Com esse resultado a taxa brasileira fica em segundo lugar no ranking de risco mais elevado, perdendo apenas para a taxa argentina. Os C-Bonds, principais títulos da dívida brasileira negociados no exterior, foram cotados a 59,250 centavos por dólar, frente a 63,500 centavos por dólar ontem. O risco-país é calculado pela diferença entre os juros pagos pelo governo norte-americano e os juros dos títulos públicos do país. Ou seja, essa taxa significa que o governo brasileiro precisa pagar 15,95 pontos porcentuais acima dos juros norte-americanos para captar recursos no exterior. Essa diferença aumenta sempre que os investidores acreditam que há maior risco nos títulos do país.Mercados internacionaisEm Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,36%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em baixa de 2,14%. Na Argentina, o dólar oficial fechou a 3,66 pesos para a venda, em alta de 2,0%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 6,75%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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