Bolsa em recuperação dispara 6,34%

As fortes altas nas bolsas internacionais desde quinta-feira passada não tinha surtido muito efeito na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) por conta das turbulências internas. Mas hoje a alta foi a maior do ano em porcentual (6,34%). Ainda assim, a reação é pequena, se for considerada a queda no ano (34,44%), ou a desvalorização real em dólar. Os mercados de juros e câmbio apresentaram ligeira recuperação.As cotações parecem estar se ajustando a novos patamares, considerando que Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) será o próximo presidente da República, um resultado indesejado pelo mercado, e os fluxos de capital para o Brasil no atual cenário interno e externo. Hoje assessores do candidato deram declarações reforçando o compromisso de Lula com o superávit primário e a estabilidade da economia.Até que haja maiores definições, o dólar resiste em cair, mesmo com as fortes medidas tomadas pelo Banco Central (BC), e os juros se adequam às pressões inflacionárias decorrentes das altas nos preços dos produtos importados.No mercado financeiro, ainda há muitas resistências a títulos de prazos mais longos, ou seja, para o próximo governo, e o acúmulo de vencimentos neste final de ano é grande. Já na quarta-feira vence US$ 1,1 bilhão em contratos cambiais, que o BC deve tentar rolar, ao menos parcialmente, nos próximos dias. O próximo lote será no dia 1º.Também na quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgará sua decisão sobre a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia em seu encontro mensal. Na segunda-feira, a taxa foi elevada de 18% para 21% ao ano em reunião extraordinária. Mas a surpresa da reunião, que não trouxe um choque de juros para controlar o câmbio, sugere mais surpresas pela frente para alguns analistas. O maior questionamento é que se era para ajustar os juros às pressões inflacionárias, por que não esperar até a reunião mensal de outubro?MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,9100 nos últimos negócios do dia, em alta baixa de 0,26% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,8500 e R$ 3,9650. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta queda de 20,31% no ano e 68,83% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 24,650% ao ano, frente a 24,800% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 27,750% ao ano, frente a 28,100% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 6,34% em 8901 pontos e volume de negócios elevado, de R$ 607 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 34,44% em 2002 e 7,76% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, duas apresentaram queda. As altas acima de 10% foram Net PN (preferenciais, sem direito a voto), com valorização de 12,50%; Cemig ON (ordinárias, com direito a voto), com alta de 10,81%; Siderúrgica Nacional ON (11,88%); e Telesp Celular PN (10,00%). Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 2,97% (a 8275,0 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 3,24% (a 1272,29 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9710; uma alta de 0,98%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 0,47% (440,08 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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