FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

Bolsa cai 0,41% com mercado à espera de projeto de militares, Copom e Fed

O Ibovespa, principal índice de ações do País, acabou o dia aos 99.588,37 pontos; o dólar à vista fechou em leve queda, cotado a R$ 3,7891

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 17h35

O bom desempenho das ações de empresas de commodities não foi suficiente para garantir nova alta do índice Bovespa, que não teve fôlego para avançar além dos 100 mil pontos no fechamento. O principal índice da B3 chegou a avançar acima desse patamar ao longo do dia, mas perdeu o viés positivo na última hora de negociação e fechou aos 99.588,37 pontos, em baixa de 0,41%

Já o dólar engatou a terceira queda consecutiva e já acumula sete dias de baixas nos últimos oito pregões, em meio ao otimismo com o avanço da Previdência e do exterior positivo. Nesta terça-feira, 19, depois de uma primeira parte de negócios de maior otimismo, quando o dólar chegou a recuar para R$ 3,76, com operadores reportando nova entrada de fluxo externo para a Bolsa, a parte da tarde foi marcada por maior cautela. O dólar à vista fechou em queda de 0,06%, cotado em R$ 3,7891. 

Há expectativa sobre o final da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e também pela entrega da proposta de reforma da Previdência dos militares ao Congresso, também prevista para a quarta-feira.

Bolsa

A queda no final do dia coincidiu com a piora das bolsas americanas, mas foi conduzida através das ações do setor financeiro. Desde cedo, os papéis dos bancos já vinham fazendo contraponto às ações de Petrobrás, Vale e siderúrgicas, principais destaques de alta. A queda dos bancos foi atribuída a uma realização de lucros, que ocorreu mesmo com a elevação da perspectiva de rating de nove instituições, anunciada pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.

Segundo Vitor Miziara, sócio da Criteria Investimentos, com a reforma da Previdência no foco, investidores preferiram a cautela, na espera pela apresentação da proposta de reforma da Previdência dos militares, prevista para esta quarta-feira. "A proposta para os militares já será uma bela mostra do início da tramitação da reforma da Previdência, com potencial para tirar parte da gordura (das ações) dos últimos dias", afirmou.

No rol das expectativas para quarta-feira estão ainda as reuniões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro. Nos dois casos, o mercado espera sinalizações sobre como serão conduzidas as políticas de juros até o final do ano. A aposta em um corte da taxa Selic em 2019 seria, na visão de alguns analistas, um dos motores das recentes altas do Ibovespa recentemente.

Para Raphael Figueredo, sócio e analista da Eleven Financial, a queda do índice teve influência do mercado externo, uma vez que o viés doméstico segue positivo. Ele ressalta o recente ingresso de recursos externos na Bolsa, que se dá principalmente por meio das ações "preferidas" pelos investidores.

"Diversos relatórios de instituições internacionais vêm apontando o Brasil como um mercado com potencial de valorização. Isso já se reflete nas ações mais negociadas pelos estrangeiros e, aos poucos, se estenderá por papéis ligados ao ciclo econômico", disse Figueredo.

Na análise por ações, as quedas do setor financeiro foram lideradas por Itaú Unibanco PN (-2,33%), Bradesco PN (-2,15%) e Banco do Brasil ON (-2,14%). Segundo Figueredo, a expectativa pela reunião do Copom pode ter contribuído para a correção, uma vez que parte do mercado espera novo corte da Selic este ano, enquanto outro grupo defende a manutenção da taxa Selic por mais tempo. Na ponta oposta à dos bancos estiveram Vale ON (+2,85%) e Petrobras ON (+1,58%) e PN (+1,60%).

Dólar

A moeda americana voltou a se enfraquecer no mercado internacional ante divisas de países desenvolvidos, como a libra, mas operou mista em relação aos emergentes, caindo no México e subindo em outros mercados, como a Turquia. Na parte da tarde, a queda perdeu fôlego, enquanto aumentava a expectativa pela reunião do Fed e também a do Banco Central do Brasil, que começou nesta terça-feira. É o primeiro encontro sob comando do novo presidente, Roberto Campos Neto. 

"O mercado ficou em compasso de espera hoje, pelo Fed e para ver qual a diretriz do novo Copom", disse o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello. Nos Estados Unidos, a expectativa é ver se o Fed vai manter a postura cautelosa e paciente que vinha sinalizando. Para o encontro daqui, o objetivo é ver se Campos Neto vai sinalizar alguma mudança de direção da política monetária, que pode ter consequências na entrada de dólares no país. Outra expectativa do mercado, disse ele, é pela entrega da proposta de reforma da Previdência dos militares ao Congresso, que deve ocorrer na tarde desta quarta-feira. 

Mais cedo, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou que a proposta dos militares está pronta e só precisa do aval de Jair Bolsonaro, que volta hoje à noite dos Estados Unidos após se encontrar com Donald Trump. À tarde, o secretário executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, reforçou que a equipe econômica está fazendo os ajustes finais e que a decisão política sobre o tema é de Bolsonaro. 

Para a reunião do Fed, a economista-chefe da corretora Stifel, Lindsey Piegza, espera que os dirigentes reduzam a projeção feita em dezembro de duas altas de juros em 2019 para "uma ou nenhuma". Ela não descarta que o próximo movimento do Fed possa até ser um corte de juros, diante da desaceleração da economia. Neste contexto, uma das possibilidades é o BC americano cortar as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA para os próximos anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.