AP Photo/Leo Correa
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Bolsa espera 'choque de capitalismo' no Brasil após impeachment

Instituições financeiras reagiram positivamente ao afastamento definitivo de Dilma; Febraban desejou uma gestão 'exitosa' a Temer e Santander falou em 'pacto' para retomada da economia

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2016 | 18h00
Atualizado 31 de agosto de 2016 | 18h44

As instituições do mercado financeiro do País reagiram rapidamente e de forma positiva à notícia da cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira, 31. Em comunicado divulgado por sua assessoria de imprensa, a Bovespa disse que espera a retomada do mercado de capitais e "um choque de capitalismo" no Brasil nos próximos dois anos.

"A decisão do Senado pelo impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff retira o Brasil e a economia de uma situação de espera, que impedia a tomada de decisões e o avanço. A partir da definição do novo governo, e na expectativa do ajuste fiscal e das reformas estruturais, o Brasil passa a ter o seu caminho definido de forma mais clara e efetiva."

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) desejou, em nota ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado, uma administração "exitosa pelo bem do Brasil" ao presidente empossado Michel Temer. A Febraban ainda reiterou sua disposição em colaborar com o governo nas ações necessárias para a estabilidade macroeconômica e a retomada do crescimento da economia brasileira. 

A Febraban também afirmou que segue disposta a contribuir para o fortalecimento do sistema bancário brasileiro e para o desenvolvimento sustentável do País. "E compartilha, com o governo, o objetivo de restabelecer a confiança dos agentes econômicos, essencial para a recuperação da atividade e do emprego", acrescentou. 

Já o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, também em nota ao Broadcast, falou que é chegada a hora de um "pacto pela retomada do crescimento econômico e da geração de empregos no País após o fim do impeachment." 

"Neste momento, duas palavras são fundamentais: tolerância, para reduzir a distância dos polos ideológicos, e urgência, para tomar as medidas necessárias para que o País saia da crise o mais rapidamente possível e de forma sustentável", destacou o presidente do Santander Brasil.

O presidente executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, desejou "sucesso ao presidente Michel Temer na condução de nosso País". Setubal espera que a partir de agora, com a conclusão do processo de impeachment da presidente deposta Dilma Rousseff, o governo possa encaminhar ao Congresso Nacional as reformas necessárias para o Brasil.

A PEC que propõe o limite de gastos públicos é, segundo ele, a "mais importante medida para a retomada do crescimento econômico, do emprego e do bem-estar geral da população brasileira", disse em nota ao Broadcast

Apesar da sinalização otimista das instituições financeiras, o dia no mercado demorou a reagir ao fim do processo do impeachment. O dólar chegou a bater máxima após a aprovação do afastamento de Dilma por temores em relação à possível racha na base governista de Michel Temer. A moeda só se firmou em queda ante o real no final da sessão, quando políticos da base aliada amenizaram essa possibilidade. 

O dólar fechou em baixa de 0,36% aos R$ 3,22 e a Bovespa terminou o dia em queda de 1,15% aos 57.901,10 pontos, acompanhamento movimento internacional. A aprovação do afastamento da presidente Dilma Rousseff foi definida por 61 votos a 20 nesta quarta no Senado./COLABOROU LUCAS HIRATA

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