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Bolsa fecha com alta de 2% em meio à expectativa por Copom; dólar fica a R$ 5,26

Espera pelo corte da taxa básica de juros, a Selic, animou o mercado brasileiro, que já estimava corte de 2,25% ao ano; no exterior, clima foi de cautela

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 17h28
Atualizado 17 de junho de 2020 | 18h53

O apetite por riscos dos investidores se manteve alto no pregão desta quarta-feira, 17, na Bolsa de Valores de São Paulo , a B3, motivado em grande parte pelo possível anúncio de corte da Selic pelo Copom. Em um pregão de ganhos, o índice encerrou com alta de 2,16%, aos 95.547,29 pontos. O bom humor, no entanto, não se aplicou ao dólar, que fechou cotado a R$ 5,2608, uma valorização de 0,51%.

Para o mercado financeiro, a expectativa era que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, reduzisse a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 2,25% ao ano - o que de fato se comprovou. A decisão, que tem como intuito estimular a economia já paralisada pelo coronavírus, no entanto, foi anunciada apenas quando a Bolsa já estava fechada.

Nesse cenário, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, conseguiu se manter estável no pregão desta quarta, oscilando entre os 96 mil pontos. Na máxima da sessão, a B3 subia aos 96.611,40 pontos, em uma alta bem maior que os pares de Nova York, que teve apenas ganhos comedidos.

Com o índice fechando hoje na maior alta das últimas cinco sessões, a B3 acumula agora ganho de 9,32% no mês e de 2,97% na semana. Entre os maiores ganhos do pregão, está a Eletrobrás, com alta de 9,99%. Também subiram Yuduqs, com 7,12% e Cyrela, com 6,73%.

Câmbio

O cenário, no entanto, não é favorável para o dólar. Além da projeção de corte da Selic, que á prejudicial para a moeda, pois diminui os rendimentos para investidores estrangeiros e afasta a divisa do País, um novo discurso pessimista do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, colocou ainda mais pressão no câmbio. Hoje, ele voltou a falar das incertezas de uma recuperação rápida para a economia dos Estados Unidos. Mas deu uma noa notícia, ao anunciar que o Fed tem recursos à disposição para ajudar "se for necessário".

Com a notícia, a moeda saltou da mínima do dia, cotada a R$ 5,1428, para a máxima da sessão, sendo negociada a R$ 5,3119. Este foi o sexto dia seguido de valorização da moeda, que já acumula ganho de 8% neste período. O dólar para julho também fechou em alta, com valorização de 0,31%, cotado a R$ 5,2320.

Contexto internacional

O dia foi de tensões no exterior, com conflitos geopolíticos no radar. Nesta quarta, 20 militares indianos morreram em um confronto com o Exército chinês na disputada fronteira entre os dois países, marcando o primeiro confronto com mortos entre os dois gigantes asiáticos nos últimos 45 anos. A situação aumentou a tensão entre ambos os países e gerou medo no mercado, que já vem acompanhando o atual conflito entre as duas Coreias.

Além disso, ainda chama a atenção do investidor estrangeiro, o ressurgimento da covid-19 em Pequim, a capital chinesa, e o aumento de casos da doença em Estados dos EUA que estão em processo de reversão de medidas de quarentena. 

Petróleo

Os contratos do petróleo fecharam sem direção única nesta quarta, após um relatório do American Petroleum Institute (API) divulgado na última terça-feira, 16, apontar para um aumento de 3,9 milhões de barris no volume estocado nos EUA na última semana. Além disso, o receio de que o processo de reabertura do país americano seja interrompido pelo avanço do vírus, ajudou a segurar o mercado.

Com isso, o WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em queda de 1,14%, a US$ 38,21. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 0,61%, a US$ 40,71 o barril.

Bolsas do exterior

Com as incertezas mundiais, os ganhos foram contidos na Ásia. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 0,14% e 0,29%, respectivamente. Já o Hang Seng se valorizou 0,56% em Hong Kongo sul-coreano Kospi teve alta de 0,14% e o Taiex registrou ganho de 0,20% em Taiwan. Enquanto issoo Nikkei caiu 0,56% em TóquioNa Oceania, a Bolsa australiana também subiu e avançou 0,83% em Sydney.

Cenário similar também foi visto na Europa, com a exceção de que lá as Bolsas fecharam sem sentido único. O Stoxx 600 encerrou com ganho de 0,74%, a bolsa de Londres avançou 0,17% e a de Frankfurt subiu 0,54%. Paris e Lisboa tiveram ganhos de 0,88% e 0,41%, respectivamente. Já Milão e Madri caíram 0,20% e 0,22%.

Já em Nova York, a declaração pessimista do Fed confundiu os índices por lá. Em resposta, o Dow Jones fechou com queda de 0,65%, o S&P 500 recuou 0,36% e o Nasdaq subiu 0,15%, a 9.910,53 pontos./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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