Epitácio Pessoa/AE
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Bolsa fecha em alta de 0,62% e dólar termina cotado a R$ 3, 71

Enquanto investidores aguardam com cautela decisão do Fed, moeda americana registrou alta de 0,17%; Ibovespa subiu para 72.754,12 pontos, impulsionado pelas ações da Vale

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 09h54
Atualizado 12 Junho 2018 | 18h29

Os investidores estiveram mais cautelosos nesta terça-feira, 12, a espera do posicionamento do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, que anuncia sua decisão para a política monetária na quarta-feira.

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No Brasil, em uma sessão volátil, o Banco Central (BC) realizou dois leilões extras de swap cambial, no total de US$ 3 bilhões, mas ainda assim a moeda terminou em alta de 0,17%, a R$ 3,7144. O Ibovespa teve uma recuperação tímida após a queda de 8% em cinco pregões seguidos, ao subir 0,62%, aos 72.754,12 pontos.

A maior expectativa está relacionada a possível indicação de quatro elevações dos juros americanos neste ano. Para analistas ouvidos pelo Broadcast, essa sinalização deve impactar principalmente o câmbio.

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Câmbio. O Banco Central injetou mais US$ 3,7 bilhões no mercado de câmbio nesta terça-feira, mas a cautela com a reunião de política monetária do Fed falou mais alto e o dólar acabou subindo pelo segundo dia seguido.

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Em novo dia de volatilidade, a moeda chegou a cair para R$ 3,67 na mínima do dia, mas não se sustentou neste patamar em meio às preocupações aqui e no mercado externo de como se dará o processo de alta de juros na maior economia do mundo. No exterior, a divisa dos Estados Unidos subiu ante as principais moedas de países desenvolvidos e emergentes.

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O consenso dos economistas, de bancos como Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America Merrill Lynch e JPMorgan, é que os juros serão elevados nesta quarta-feira nos EUA, mas a maior dúvida é se os dirigentes do Fed vão sinalizar que haverá ao todo quatro elevações este ano e como fica o ritmo de altas para 2019 e 2020.

A reunião termina de tarde, seguida do anúncio de novas projeções macroeconômicas e do chamado "gráfico de pontos", que reúne as estimativas de todos os dirigentes do Fed para os juros, além de entrevista do chefe do Fed, Jerome Powell.

Para Luis Afonso Lima, economista-chefe da Mapfre Investimentos, mesmo que o Fed não sinalize mais altas do que as três já esperadas para 2018, um discurso mais convicto dos dirigentes sobre o processo de normalização da política monetária, por conta da forte atividade econômica e perspectiva de inflação mais alta, pode manter o dólar pressionado no exterior e aqui. Com isso, a tendência é que o real continue depreciado no curto prazo.

Nesta terça-feira, o BC inicialmente só sinalizou um leilão extra de swap, de US$ 1,5 bilhão. Com isso, o mercado ficou estressado, pois esperava mais dinheiro "novo" no câmbio e o dólar bateu máximas, chegando a R$ 3,73. Logo depois, por volta do meio-dia, o BC anunciou um segundo leilão extra, levando a moeda a bater mínimas.

O BC tem ainda cerca de US$ 12 bilhões para colocar até sexta-feira, 15, dentro do programa de US$ 20 bilhões de swaps adicionais prometidos por Ilan Goldfajn na semana passada, além de US$ 2,15 bilhões dos lotes de 15 mil contratos já previstos desde maio.

Estes volumes que o BC ainda tem para colocar esta semana podem amenizar algum estresse causado pelo resultado da reunião do Fed, avalia o sócio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

Bolsa. O desalento dos investidores com o cenário doméstico segue como principal fator de fraqueza do Ibovespa, em meio à falta de perspectivas positivas para os cenários econômico e eleitoral. Os negócios somaram R$ 9,6 bilhões, novamente abaixo da média dos últimos dias.

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Pela manhã, o principal índice de ações do País pegou carona com a alta das bolsas de Nova York e chegou a registrar máxima de 73.322 pontos, em alta de 1,40%. O índice passou a perder fôlego gradativamente e à tarde tocou pontualmente o terreno negativo, quando chegou a cair 0,25%, na mínima de 72.124 pontos.

"A Bolsa não anda em boa parte porque o momento é de revisões do cenário econômico, com a possibilidade de as companhias listadas na Bolsa entregarem resultados piores nos próximos trimestres", disse Glauco Legat, analista da Spinelli Corretora. "Com o cenário de incerteza, a aposta do investidor está mais direcionada ao dólar, que hoje voltou a subir, apesar dos leilões do Banco Central", completou o profissional.

Segundo Legat, o investidor começou a colocar na conta o atual quadro de indefinição econômica e eleitoral e se questiona se vale a pena correr o risco de um cenário em que nem mesmo os analistas políticos conseguem avaliar. "Tudo está apontando para um cenário ainda mais difícil, com muitas coisas para acontecer. A Bolsa precisa de um 'trigger' que não estamos vendo", disse.

A alta do dia foi garantida em boa parte pelo bom desempenho das ações da Vale, que terminaram o dia com ganho de 1,67%. O papel acompanhou a alta do minério de ferro no mercado à vista chinês e também a notícia de que a empresa concluiu acordos com a Wheaton Precious Metals Corp e com a Cobalt 27 Capital Corp. para a venda de cobalto.

Por outro lado, Petrobras ON caiu 0,82%. As ações do setor financeiro também operaram em queda, à exceção de Banco do Brasil ON, que subiu 3,85%.

Na última sexta-feira, 8, os investidores estrangeiros retiraram R$ 1,108 bilhão da B3. Em junho, até essa data, o saldo líquido dos investimentos externos era negativo em R$ 3,155 bilhões. Em maio, essas saídas somaram R$ 8,43 bilhões.

"Enquanto o fluxo de investidores estrangeiros não se restabelecer, a Bolsa vai continuar sem defesa. E eles não estão vendo motivo para comprar as ações brasileiras em um momento tão negativo do País, com tantas dificuldades de se prever o que vem à frente", disse um operador de renda variável.

BRF. Um dos destaques negativos da Bolsa foi a BRF ON, que caiu 2,88%. A companhia decidiu encerrar a produção de perus no município de Mineiros, em Goiás. O corte da linha de produção, que tinha como destino o mercado internacional, deve-se, basicamente, às restrições dos mercados externos aos produtos brasileiros.

"Nós não vamos mais produzir peru em Mineiros. A decisão está tomada. Estamos concentrando essa produção em Chapecó (SC), por questões de abertura de mercado", disse vice-presidente global de eficiência corporativa da BRF, Jorge Lima. / COM RENATO CARVALHO

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