Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsa fecha em alta de 0,84% apesar da saída de Meirelles da Fazenda

Julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajudou índice a perder fôlego; dólar encerra sessão cotado a R$ 3,30, baixa de 0,21%

Paula Dias e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

26 Março 2018 | 18h46

A Bolsa brasileira operou positivamente nesta segunda-feira, 26, espelhando o comportamento das bolsas globais. No entanto, no plano doméstico, as incertezas sobre quem sucederá Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda trouxeram a cautela para os negócios durante o pregão. Ainda assim, o Ibovespa encerrou a sessão em alta de 0,84%, alcançando os 85.087,86 pontos.

Enquanto isso, após ter subido 1,17% no acumulado da semana passada, o dólar cedeu a uma correção vinda do exterior e recuou levemente ante o real. Em um dia marcado pela queda firme e generalizada da moeda americana, chamou a atenção no mercado a resistência das cotações no nível dos R$ 3,30, tanto no mercado à vista como no futuro. Segundo analistas, os motivos podem ser internos, uma vez que investidores aguardam por desdobramentos de eventos no âmbito doméstico. Após oscilar entre mínima na faixa dos R$ 3,29 e máxima ao redor de R$ 3,31, o dólar à vista terminou o dia em R$ 3,3093, em baixa de 0,21%.

O baixo volume de negócios verificado, de R$ 7,44 bilhões, traduziu sentimento ressabiado dos investidores, de acordo com Ariovaldo dos Santos, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor. Esse giro ficou abaixo da média entre R$ 10 e 11 bilhões que vinha sendo registrada no primeiro trimestre deste ano. Os investidores estrangeiros seguem saindo e, de acordo com a B3, em março, já retiraram R$ 4,808 bilhões, fazendo com que o saldo em 2018 caísse a R$ 509,480 milhões.

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Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, o presidente Michel Temer confirmou que Meirelles deixará a Fazenda até o dia 7 de abril. De acordo com especialistas em renda variável, a notícia fez perder fôlego o índice, que havia subido mais de 1% na primeira hora desde a abertura. 

Aliado a isso, os investidores aguardavam para o início da tarde o julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a condenação a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá. 

"A sessão de hoje mostrou uma tentativa dos agentes de mercado equacionarem a saída de Henrique Meirelles com a alta muito forte no mercado externo. Foi um estica-e-puxa", disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe Nova Futura CTVM. 

Segundo ele, a notícia gerou ruído durante a sessão de negócios, mas foi se dissipando, pois, acredita, não deve haver surpresa na substituição. 

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O próprio ministro disse mais tarde que o novo ministro deve ser escolhidos entre os secretários da Pasta. De acordo com fontes, Meirelles tem a preferência por Eduardo Guardia (secretário-executivo) e Mansueto Oliveira (secretário de Acompanhamento Fiscal), mas que a maior aposta é Guardia. "Dyogo Oliveira [ministro do Planejamento] não seria uma boa opção para o mercado como o balão de ensaio já mostrou", completou Silveira.

"Temor é não saber quem será o novo ministro, se vai ter a mesma visão, mesmo comportamento e o que fará. Isso traz intranquilidade", disse o operador da mesa institucional da Renascença Corretora Luiz Roberto Monteiro, para quem o mercado também ficará em compasso de espera pela continuação do julgamento pelo Supremo Tribunal (STF) do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula, marcado para 4 de abril. 

Câmbio. A possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e China que evite uma guerra comercial entre os dois países foi o combustível do bom humor no mercado externo, que levou o dólar a se enfraquecer de maneira geral. A melhora na avaliação sobre o assunto foi impulsionada por uma reportagem do Wall Street Journal, segundo a qual os EUA e a China iniciaram um diálogo discreto para melhorar o acesso americano aos produtos chineses.

As bolsas de Nova York subiram acima dos 2% e os juros dos Treasuries avançaram. No fechamento, o Dollar Index, que mede a variação do dólar ante uma cesta de moedas fortes, teve baixa de 0,46% (89,07 pontos). Esses fatores incentivaram a desmontagem de posições compradas firmadas na semana passada, justamente quando os temores de um conflito comercial foram mais intensos.

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Para Cleber Alessie Machado Neto, operador da corretora HCommcor, foi nítido nesta segunda-feira que os mercados de câmbio e ações não acompanharam integralmente o bom humor internacional. Na opinião dele, a cautela com o STF é um dos fatores que inibiram uma correção mais forte no câmbio. O profissional também citou a possibilidade de a disputa pela Ptax do final de março estar sendo lentamente antecipada, uma vez que a semana é mais curta, por conta do feriado de Páscoa.

"O real esteve mais fraco que seus pares no exterior e é difícil saber qual fator tem maior influência. Mas é importante lembrar que a moeda tem sido beneficiada nos últimos meses, porque o Brasil tem sido o queridinho do mercado", disse o operador. "No que diz respeito ao noticiário, há algum desconforto na expectativa pelo julgamento no STF", afirmou.

Para José Carlos Amado, operador da Spinelli corretora, o fato de o dólar resistir nos R$ 3,30, com poucas oscilações acima ou abaixo desse patamar, evidencia um mercado dividido. "É natural que em momentos de indefinição dólar passe a rondar um valor redondo, uma referência psicológica, à espera de um indicativo", disse o profissional.

Quanto à repercussão do caso Henrique Meirelles, a maioria dos profissionais ouvidos pelo Estadão/Broadcast considerou que houve espaço para especulação em torno do eventual substituto do ministro, mas pouca ou nenhuma influência nos negócios no câmbio.

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"Dificilmente o presidente Michel Temer iria mudar a linha de Henrique Meirelles na política econômica, que a principal bandeira do governo. Isso não faz muito sentido. Os grandes players do mercado têm uma visão bastante madura quanto a isso e não esperam essa mudança", disse Machado Neto, da Hcommcor.

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