Gabriela Bilo/Estadao
Gabriela Bilo/Estadao

Bolsa renova recorde influenciada pelo petróleo e fecha em alta pelo sétimo dia consecutivo

Dólar enfrentou a primeira queda em quatro sessões de negócios, fechando com baixa de 0,52%, aos R$ 3,2490

Simone Cavalcanti e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2018 | 19h12

Embalado pelos bons resultados corporativos, no plano doméstico, e por bons ventos externos, o Ibovespa fechou em alta pelo sétimo dia consecutivo. Na primeira etapa da sessão desta quinta-feira, 22, manteve-se no nível dos 87 mil pontos, mas isso não se sustentou à tarde. Ainda assim o índice à vista encerrou o pregão aos 86.686,44 pontos, com valorização de 0,74%, e renovando a máxima histórica pelo terceiro dia seguido. 

Já o enfraquecimento do dólar no âmbito internacional foi integralmente refletido no mercado de câmbio brasileiro, onde a moeda americana teve a primeira queda em quatro sessões de negócios. O noticiário interno foi pouco influente, o que acabou por reforçar a referência externa. Assim, expectativas com política monetária internacional e preços do petróleo foram os principais drivers do dia, que contribuíram para levar o dólar à vista a fechar com baixa de 0,52%, aos R$ 3,2490, em um dia de liquidez elevada.

Analistas destacam que a safra de balanços, em sua grande maioria positiva, contribui para alavancar os negócios na Bolsa. "Os resultados corporativos estão bem positivos e os investidores, principalmente estrangeiros, estão olhando para este fundamento da economia brasileira e seguem comprando risco", nota Luiz Roberto Monteiro, operador da Corretora Renascença.

++ Processo de eletrificação dos automóveis pode matar empresas, diz presidente da PSA

De acordo com Rodrigo Martins, economista da AQ3 Asset Management, a sessão de negócios foi influenciada pelo rescaldo da divulgação da ata do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve (Fed), com os investidores divergindo sobre a mensagem da autoridade monetária a respeito do número de altas da taxa básica de juros nos Estados Unidos. 

Ainda entre os motivos que sustentaram o bom desempenho do índice está a alta relevante das cotações do petróleo no mercado internacional, após divulgação de queda de estoques e produção acima das estimativas em território americano.

Entre as blue chips, o Banco do Brasil foi destaque de alta, em resposta a um balanço superior às expectativas. Os papéis ON do banco passaram o dia com ganhos acima de 3%, fechando a 3,11%. As ações da Petrobras, também apresentaram alta relevante de 2,99% (ON) e 2,42% (PN). 

Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, descartou a possibilidade de continuar no cargo pelos anos seguintes caso não concorra à Presidência da República em 2018 e seja indicado por um próximo governante. "Acho que a etapa como ministro da Fazenda é uma etapa cumprida. Estamos agora contemplando essa nova etapa de uma possível candidatura à Presidência", respondeu, em entrevista à Rádio Itatiaia (MG).

++ Audi do Brasil atrasa plano de investimento à espera do Rota 2030

Ainda que visto como um dos candidatos preferidos do mercado financeiro, segundo um operador, é preciso aguardar uma oficialização da sua candidatura. 

Câmbio. Pela manhã, as cotações chegaram a apresentar instabilidade, em meio a fluxos cambiais e repercussões das atas das reuniões do Federal Reserve e do Banco Central Europeu. No documento divulgado nesta quinta-feira, o BCE sinalizou que dirigentes teriam considerado prematuro alterar a política monetária em janeiro, o que acabou por fortalecer o euro ante o dólar.

À tarde, o presidente da distrital de Atlanta do Fed, Raphael Bostic, afirmou em conferência bancária que o crescimento econômico americano sugere o gradualismo na condução da política monetária. "O Fed está cuidadosamente calibrando o retorno a uma política monetária mais normal, dado o ritmo de crescimento da nossa economia", afirmou Bostic, que vota nas decisões de política monetária este ano.

++ Criador da Ethereum alerta que valor das criptomoedas pode cair a zero a 'qualquer momento'

A forte alta dos preços do petróleo foi outro fator a favorecer a depreciação do dólar, principalmente ante moedas emergentes e ligadas a commodities. Os contratos futuros do petróleo negociados nas bolsas de Nova York e Londres firmaram-se em alta após os dados de estoques dos Estados Unidos apontarem para uma redução inesperada de estoques. Os dados diminuíram os temores quanto ao recente aumento da produção norte-americana. Na Nymex, o petróleo WTI para abril fechou em alta de 1,77%, a 62,77 por barril. Na ICE, o Brent para o mesmo mês subiu 1,48%, a US$ 66,39 por barril.

"O que vimos hoje foi a retomada da busca por risco, depois de uma interrupção ontem, após a ata do Fed", disse Cleber Alessie, operador da Hcommcor corretora.

O fluxo cambial foi claramente positivo, principalmente no período da manhã, segundo relataram operadores. Os ingressos foram relacionados tanto ao comércio exterior quanto ao segmento financeiro - este tendo como atrativos a Bolsa e o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional. Ainda assim, o real não esteve entre as moedas emergentes que mais se valorizaram ante o dólar no dia. 

++ Petrobrás proíbe que funcionários se encontrem sozinhos com políticos

Com o resultado, o dólar à vista acumula alta de 0,73% na semana e 1,82% no mês. Segundo Jefferson Rugik, diretor da Correparti, a tendência de curto prazo é a cotação continuar a oscilar no intervalo entre R$ 3,20 e R$ 3,30. No mercado futuro, o dólar para liquidação em março fechou aos R$ 3,2510, em baixa de 0,73%, com US$ 19 bilhões em negócios. No mercado à vista, a movimentação somou US$ 1,658 bilhão, segundo dados da B3.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.